Emissora reúne 19 indocumentados que trabalharam para Trump

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Os 19 entrevistados disseram que resolveram “sair das sombras” motivados pelo discurso de Trump contra os imigrantes indocumentados

Os entrevistados relataram que o atual presidente dos EUA deveria saber que eles estavam em situação irregular no país quando trabalhavam para ele

O canal CNN entrevistou 19 imigrantes indocumentados que disseram ter trabalhado para a Organização Trump e alegam que o atual presidente dos EUA deveria saber que eles estavam em situação irregular no país quando trabalhavam. Alguns desses ex-funcionários chegaram a trabalhar quase duas décadas nos campos de golfe e balneários do magnata que se tornou líder da nação. Entre os entrevistados, está Victorina Morales, ex-camareira que arrumava a cama de Trump e, inclusive, tinha a chave e acesso direto ao quarto dele.

A imigrante indocumentada que divulgou a estória dela sobre arrumar a cama e lavar as roupas do Presidente Donald Trump, quando trabalhava no Trump National Golf Club em Bedminster, pediu asilo aos EUA. Morales, moradora em Bound Brook, admitiu ter utilizado documentos falsos para conseguir o emprego de camareira no clube, após ter cruzado clandestinamente a fronteira quando deixou a Guatemala. Ela relatou a trajetória dela ao jornal The New York Times no início de dezembro e já apareceu em diversos programas de televisão nacionais. Ela revelou que há muitos outros empregados no Trump National que são indocumentados.

O advogado que a representa pediu a suspensão temporária do pedido de asilo dela, em parte, devido à atenção nacional que a cliente dele tem recebido. “Não há dúvidas que Morales enfrentaria perigo maior na Guatemala, onde a visibilidade dela em virtude da mídia a colocaria em risco. Nós estamos confiantes no pedido de asilo dela e isso estabeleceria que ela qualifica para proteção conforme a lei dos EUA”, disse Aníbal Romero.

Aníbal pediu ao escritório da Promotoria Pública para investigar o Trump National devido ao que ele considerou o tratamento abusivo de Morales e outros imigrantes indocumentados que trabalharam lá e foram ameaçados de deportação pelos supervisores, caso não fizessem aquilo que era mandado. Os imigrantes indocumentados podem solicitar asilo para permanecer nos EUA, caso consigam provar que sofreriam perseguição se retornarem ao seu país de origem devido à raça, religião, visão política e outras razões.

Morales, de 45 anos, alega que a família dela já foi perseguida na Guatemala porque eles têm parentes nos EUA. “Victorina Morales enfrenta perigo tremendo na Guatemala, o país natal dela, portanto, estamos confiantes que ela conseguirá o asilo”, disse Romero. “Há muitos anos, o sogro de Morales foi visado e morto na Guatemala por um grupo de homens que tentaram extorquir dinheiro porque ele tinha familiares nos Estados Unidos. O filho dela testemunhou o homicídio e a família dela, desde então, vem sofrendo ameaças”.

Morales relatou que vivia numa zona rural na Guatemala antes de passar 6 semanas caminhando e pegando vários ônibus para cruzar clandestinamente a fronteira entre o México e os EUA em 1999. Ela obteve um número falso do Seguro Social e documentos de identificação em Los Angeles (CA) e, então, voou até New Jersey para juntar-se ao marido. Após trabalhar como faxineira, ela aplicou para a vaga de camareira no Trump National Gulf Club em 2013. Ela foi contratada, embora tenha admitido ao entrevistador dela que tinha documentos falsos.

“Eu disse a ela que eu não tinha papéis bons. Ela me respondeu para eu trazer os documentos que usei no hotel”, relatou ao jornal The New York Times.

No Trump National, ela detalhou que limpava a ala da família de Trump, arrumava a cama dele e lavava a roupa do Presidente, Primeira Dama Melania e o filho do casal, Baron. Trump pessoalmente a deu gorjetas inúmeras vezes e disse-lhe que ela fazia um bom trabalho. Depois que ele se tornou presidente dos EUA, a supervisora dela disse-lhe que precisaria de um green card e número do Seguro Social novos. Victorina relatou que a funcionária do Trump National a levou de carro à uma casa em Plainfield, onde ela pagou US$ 165 por documentos falsos. Morales disse que decidiu sair das sombras depois de cansar-se em ouvir Trump atacando os imigrantes indocumentados.

A Organização Trump, que administra os negócios de Trump, evitou comentar sobre como Morales foi exatamente contratada. “Nós temos milhares de funcionários em nossas propriedades e aplicamos práticas de contratação bastante rígidas. Caso algum funcionário apresente documentos falsos na tentativa de burlar a lei, ele será demitido imediatamente”, informou a Organização Trump através de um comunicado no início de novembro.

Outra ex-funcionária do Trump National, Sandra Diaz, também disse ao The New York Times que ela já foi indocumentada e que também usou documentos falsos quando trabalhava no clube de golfe em New Jersey entre 2010 e 2013. Desde então, ela se tornou uma residente legal permanente (green card).

 

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