Empresários mineiros são acusados de facilitar imigração ilegal

Foto3 Cristiano Campidelli Empresários mineiros são acusados de facilitar imigração ilegal
“Infelizmente, em muitos casos, elas acabam comprando um sonho e recebendo um pesadelo”, disse Campidelli (Foto: Diário do Rio Doce)

As autoridades suspeitaram do esquema depois que 2 mulheres foram detidas em fevereiro quando tentavam obter o passaporte em Belo Horizonte (MG)

Na manhã de terça-feira (1), agentes da Polícia Federal (PF) prenderam 2 irmãos proprietários de uma agência de turismo em Governador Valadares (MG). Ambos são acusados de manterem um esquema de falsificação de identidade com o objetivo de entrar clandestinamente nos EUA. As autoridades suspeitaram do esquema depois que 2 mulheres foram detidas em fevereiro quando tentavam obter o passaporte em Belo Horizonte (MG). Na ocasião, uma delas apresentou uma cédula de identidade falsa na qual indicava que ela seria “menor de idade”.

A ligação com um dos irmãos em Governador Valadares ocorreu depois que as impressões digitais dele foram encontradas no documento falso apresentado pela a mulher na capital mineira.

O objetivo de constar nomes de “falsos” menores nos documentos para os passaportes era garantir a permanência dos mineiros nos Estados Unidos, devido a um esquema conhecido como “cai-cai”.

É que naquele país, filhos menores não podem ser separados dos pais, até que o presidente Donald Trump decretou que os imigrantes ilegais fossem apresentados à Justiça e encaminhados para prisões enquanto seus filhos iam para um abrigo. Mas, após os vídeos de pais e filhos separados nas fronteiras norte-americanas viralizarem, gerando uma comoção mundial, a política foi revogada e o esquema “cai-cai” voltou à tona, no qual os imigrantes se apresentam à polícia, pagam fiança e, então, se unem aos seus filhos novamente.

“O objetivo do esquema do falsário é facilitar que as pessoas entrem clandestinamente nos Estados Unidos por rotas alternativas e, uma vez lá, eles mostram nos documentos que teriam filhos menores para permanecer no país. Após o Trump mandar prender os pais e separá-los dos filhos, houve uma pressão mundial e isso parou, mas algumas pessoas estão se aproveitando dessa questão humanitária”, explicou o delegado Cristiano Campidelli, da PF em Governador Valadares.

. Sonho pode virar pesadelo:

Campidelli alertou para o perigo corrido pelas pessoas que tentam entrar clandestinamente nos EUA através desse tipo de esquema.

“Só que essas pessoas que tentam atravessar para os Estados Unidos clandestinamente, muitas vezes, são presas ao chegarem lá ou sequestradas pelos coiotes, ou podem até morrer na travessia pelo mar. Infelizmente, em muitos casos, elas acabam comprando um sonho e recebendo um pesadelo”, disse ele.

Ainda segundo o delegado, em meados de 2019, também foram detidos mais 4 indivíduos na capital mineira. Tratou-se de um jovem de 22 anos que se fazia passar pelo filho menor de um homem de 42 anos, também preso, e um suspeito de 27 anos que se fazia passar pelo filho menor de outro homem de 52 anos.

O delegado acrescentou que, além da falsificação dos documentos, o esquema dos passaportes é muito maior e envolve o transporte das pessoas, a organização das rotas alternativas, a compra das passagens aéreas. Já “o pacote completo” pode custar cerca de US$ 20 mil.

 

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