Enquanto o impasse sobre o DACA continua, esses “Dreamers” salvam vidas

Foto6 Ivonne Orozco Enquanto o impasse sobre o DACA continua, esses “Dreamers” salvam vidas
Ivonne Orozco, de 26 anos, é professora no Ensino Secundário e foi eleita a “Professora do Ano”
Foto6 Ana Cueva Enquanto o impasse sobre o DACA continua, esses “Dreamers” salvam vidas
Ana Cueva, de 25 anos, é enfermeira especializada em choque e trauma
Foto6 Jose Tapia Garcia Enquanto o impasse sobre o DACA continua, esses “Dreamers” salvam vidas
José Tapia Garcia, de 27 anos, é técnico em emergências médicas e bombeiro

Beneficiados pelo programa, jovens atuam como bombeiros, enfermeiras, atendentes de serviços de emergência e professores

Caso o Congresso falhe em chegar a um acordo sobre o Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA) nas próximas 2 semanas, milhares de jovens indocumentados que imigraram aos EUA ainda na infância poderão perder a proteção contra a deportação e a permissão para trabalhar legalmente no país. O programa possibilitou que quase 700 mil indocumentados, conhecidos como “Dreamers”, saíssem das sombras e se matriculassem em universidades, adquirissem a permissão de trabalho, carteira de motorista e até mesmo comprassem imóveis sem o temor de serem deportados. Entretanto, o prazo de até 5 de março para cancelar o DACA, imposto pelo Presidente Donald Trump em setembro de 2017, está se aproximando. Apesar de 2 juízes federais terem cancelado temporariamente o cancelamento do programa, milhares de beneficiários do DACA se tornarão vulneráveis à deportação se a decisão judicial for anulada e uma nova lei não for aprovada. Para algumas comunidades, isso significa a possibilidade de perder moradores que são bombeiros, enfermeiras, atendentes de serviços de emergência e professores. Estes são profissionais que salvam e formam vidas, mesmo que o próprio futuro esteja em risco.

Ana Cueva, de 25 anos, cujo status do DACA expira em outubro, é uma enfermeira especializada em choque e trauma no departamento de tratamento intensivo do Intermountain Medical Center em Murray, Utah. Como profissional, ela tem que estar preparada para qualquer tipo de emergência.

“Nós cuidamos dos mais doentes dos doentes”, disse Ana. Ela já cuidou de pacientes que sofreram acidentes quase fatais e outros que tiveram falência múltipla dos órgãos. A jovem já ajudou até em casos de fraturas na coluna vertebral. “Todos os dias, a ansiedade é grande. Eu tenho que estar sempre alerta. Eu já tive que ressuscitar pacientes”, acrescentou. “É emocionalmente desgastante, mas eu tenho que ter um certo nível de afastamento enquanto executo o meu trabalho, pois as famílias (dos pacientes) estão observando”.

Ana já perdeu pacientes também. “Nós fazemos o nosso melhor, mas é duro quando isso acontece”, relatou a jovem profissional.

Ela foi trazida para os EUA de Guadalajara, México, quando tinha 5 anos de idade. A família ignorou o vencimento do visto e fixou residência em Utah. “A América se tornou o meu lar”, comentou. Um dia, quando Cueva tinha 7 anos, a mãe dela desmaiou no trabalho em consequência das complicações de um tumor. “Ela me disse como as enfermeiras no hospital a ajudaram a passar pelo período difícil”.

O incidente ajudou Ana a decidir que queria ser enfermeira um dia. Em 2012, ela foi beneficiada pelo DACA, abrindo as portas para que ingressasse no programa de Enfermagem da Utah Valley University, onde graduou-se com honras em 2016.

José Tapia Garcia, de 27 anos, ajuda a extinguir incêndios e emergências médicas em 3 vizinhanças diferentes no estado de Washington. Na cidade de Quincy, ele é técnico em emergências médicas numa companhia privada de ambulâncias, a Protection-1, onde trabalha no turno de 12-24 horas por semana. Além disso, o jovem é bombeiro residente no Departamento de Bombeiros da cidade de Ephrata, onde ele cumpre turnos noturnos semanais e é voluntário, um final de semana por mês, no Grant County Fire District 8 na cidade de Mattawa desde 2015.

“É difícil ter tempo livre para mim mesmo, pois me mantenho muito ocupado com esses três departamentos”, disse ele, mas sem demonstrar arrependimento. “Como atendentes de emergências nós somos os primeiros a chegar à cena de um acidente. Ele já realizei massagens cardíacas e dei oxigênio para indivíduos que tinham dificuldade em respirar. Eu também já tirei pessoas das ferragens de automóveis”.

José imigrou aos EUA com seus pais vindos da cidade de Chiautla, México, quando tinha 3 anos de idade e foi beneficiado pelo DACA em 2014. Caso o programa seja cancelado, ele terá que parar de trabalhar daqui a 2 anos. “As minhas esperanças e sonhos pararão”, disse o jovem. “Isso é o que eu quero fazer. Essa é a minha vocação”, concluiu.

 

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