Escritório novo investigará “mentiras” em processos de cidadania

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No passado, o USCIS revisava tais casos quando eles chamavam atenção, entretanto, as desnaturalizações eram raras

A função do novo órgão, com sede em Los Angeles (CA), será identificar e punir americanos naturalizados que “mentiram” durante o processo

A agência federal que processas as aplicações para a obtenção da cidadania americana planeja abrir um escritório de Los Angeles (CA) cuja função será identificar e punir americanos naturalizados que “mentiram” durante o processo. Francis L. Cissna, o diretor do Departamento de Serviços Migratórios & Cidadania dos EUA (USCIS), anunciou que contratará dezenas de advogados e agentes de imigração para rever casos de imigrantes suspeitos de usarem identidades falsas para obter cartões verdes e a cidadania por naturalização. No passado, o USCIS revisava tais casos quando eles chamavam atenção, entretanto, as desnaturalizações eram raras. O projeto marca a primeira vez em que a agência terá um escritório dedicado a identificar esses indivíduos e privá-los da cidadania. Uma vez naturalizado americano, uma das formas de um imigrante perder a cidadania é caso seja provado que ele tenha mentido durante o processo de aplicação e aquisição.

O novo escritório encaminhará os casos ao Departamento de Justiça e os infratores poderiam perder a cidadania através de processos judiciais civis ou mesmo enfrentar acusações criminais. Conforme Cissna, o custo do programa será coberto pelo orçamento existente da agência e o escritório deverá ser inaugurado em 2019.

Ativistas defensores dos direitos dos imigrantes demonstraram preocupação de que os imigrantes que cometeram erros menores nas aplicações possam ser alvo do novo escritório. Cissna defendeu o plano alegando que as penalidades incidirão sobre aqueles que cometeram fraude deliberada.

“As pessoas que serão alvo disto sabem muito bem quem elas são, pois foram removidas anteriormente sob identidade diferente e mentiram intencionalmente sobre isso quando aplicaram mais tarde para a cidadania”, disse Cissna. “Pode levar algum tempo até chegarmos aos casos deles, mas chegaremos a eles”.

Ele recusou-se a dizer quanto custaria o projeto, mas revelou que seria patrocinado pelo orçamento já existente da USCIS, que é financiado pelas taxas cobradas nas aplicações para a cidadania e outros serviços. A pressão vem aumentando desde que a administração Trump iniciou o combate à imigração clandestina e tomando medidas para reduzir a imigração legal para os EUA.

A desnaturalização, o processo de remoção da cidadania, é muito raro.

O governo dos EUA começou a olhar para casos de naturalização potencialmente fraudulentos há uma década, quando um patrulheiro da fronteira percebeu que cerca de 200 pessoas tinham usado identidades diferentes para obter green cards e a cidadania americana, após terem recebido ordens de deportação. Em setembro de 2016, um funcionário descobriu que 315 mil registros de impressões digitais de imigrantes que haviam sido deportados ou condenados criminalmente não tinha tinham sido transferidos para o banco de dados do Departamento de Segurança Interna (DHS) usado para verificar a identidades dos imigrantes. O mesmo relatório constatou que mais de 800 imigrantes foram deportados sob uma identidade, mas se tornaram cidadãos americanos com outra.

Desde então, o governo tem feito a transferência desses registros de impressões digitais antigos, datados da década de 1990 e os investigadores vêm avaliando casos de desnaturalização. No início de 2018, um juiz revogou a cidadania de um morador em New Jersey nascido na Índia chamado Baljinder Singh, após as autoridades federais o terem acusado de usar um nome diferente para evitar a deportação.

As autoridades migratórias relataram que Singh usou um nome diferente quando chegou aos EUA em 1991. Ele recebeu ordem de deportação em 1992 e, um mês depois, pediu asilo usando o nome Baljinder Singh, antes de casar com uma americana, obter a residência permanente e naturalizar-se. As autoridades alegaram que Singh não mencionou sua ordem anterior de deportação quando solicitou a cidadania americana.

Há muitos anos, a maioria dos esforços em cancelar a cidadania americana concentrou-se principalmente em suspeitos de crimes de guerra que mentiram no preenchimento de documentos, especialmente ex-nazistas.

 

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