Relatório: Agentes de imigração negligenciam informantes nos EUA

Pelo menos oito agentes estão sendo investigados por conduta inapropriada com informantes desde que o ICE foi criado em 2003

Um agente de imigração está sendo acusado de operar um site pornográfico na Internet e de manter uma relação inapropriada com um informante. Outro, deixou um informante traficar um grupo de imigrantes ilegais e, em um terceiro incidente, um agente foi acusado de pedir sexo à uma testemunha num caso de fraude no casamento. Esses casos polêmicos são pequenas mostras de atos inapropriados perpetrados por funcionários do Departamento Federal de Imigração – ICE, enquanto o órgão tenta aumentar a atuação na guerra sangrenta travada entre traficantes de drogas mexicanos na fronteira, publicou o The New York Times.

Segundo documentos obtidos pela Associated Press sob o Freedom of Information Act (Ato de Liberdade de Informação), agentes do ICE têm se comportado mal no que diz respeito a informantes e outras fontes, camuflando crimes até mesmo interferindo em investigações policiais sobre a morte de um informante pelo outro. Pelo menos 8 agentes estão sendo investigados por conduta inapropriada com informantes desde que o ICE foi criado em 2003 e mais de 30 outros por conduta inapropriada em geral, atestam os arquivos.

Os documentos relatam com detalhes como um agente falhou em “denunciar assassinatos ao seu supervisor” e como outro falhou em “receber apropriadamente uma informação de uma fonte confidencial em violação à política de procedimentos do ICE”.

Em um caso envolvendo um informante acusado de matar outro informante, José Daniel Gonzalez Galeana, um traficante de pessoas do cartel de Juarez, foi morto a tiros na última primavera em El Paso. A Polícia de El Paso disse que o ICE atrasou as investigações, afastando os detetives do indivíduo agora acusado de contratar o matador de aluguel.

Kelly Nantel, porta-voz do ICE em Washington – DC, disse através de um e-mail que o órgão “trabalha com informantes confidenciais de acordo com as melhores diretrizes estabelecidas pelas leis federais”.

O comunicado frisou que o ICE demitiu ano passado um agente por “negligência no cumprimento de suas funções, evasão de fundos e apresentação de documentos falsos” relacionados ao trabalho com um informante. Também, um agente em Miami (FL) foi sentenciado há 2 anos em uma prisão federal e pediu demissão do ICE esse ano como parte de um acordo por aceitar presentes de um informante.

Representantes do ICE em El Paso evitaram comentar o caso Gonzalez, mas John Morton, secretário assistente do Departamento de Segurança Interna do órgão em Washington – DC disse que “tenho conhecimento da situação e ela está sob análise”. Ele evitou responder perguntas.

Problemas com informantes do ICE não são um fenômeno. Segundo uma carta de 24 de fevereiro de 2004, emitida pelo chefe do escritório do DEA em El Paso, um indivíduo descrito como “maníaco assassino” continuou a colaborar com o ICE mesmo depois de ter “supervisionado o assassinato” de um indivíduo ligado cartel de Juarez.

Numa entrevista recente à AP, o informante Guillermo “Lalo” Ramirez Peyro, agora detido em um centro de detenção do ICE, negou a participação nos homicídios.

Mesmo quando não estão trabalhando com informantes, os agentes do ICE têm se envolvido em problemas. Os documentos relatam que agentes em várias partes do país e no exterior têm sido investigados por ofensas, como dirigem alcoolizados veículos governamentais, mentir para outros investigadores durante casos e utilização do cargo para benefício pessoal.

Em um caso, um agente foi repreendido por manter uma relação inapropriada com um alvo do ICE durante uma investigação. Outro agente foi investigado por utilizar seu cargo no governo para fazer perguntas no Texas sobre o despejo de sua sogra em New México.

O município de El Paso, que fica do outro lado do Rio Grande, em frente à quase sem lei Ciudad Juarez, México, está repleto de órgãos governamentais que tentam mutuamente impedir o fluxo de drogas, imigrantes e violência, além de armas e dinheiro.

O ICE é uma ramificação do Serviço de Imigração e Naturalização e tornou-se o setor investigativo do Departamento de Segurança Interna, quando ele foi criado depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O ICE também lida com o processo de detenção e deportação de imigrantes ilegais e vários outros assuntos como a fiscalização da segurança de prédios federais. Há vários anos, o órgão vem dedicando-se à guerra contra o tráfico de drogas e na violência que já matou mais de 13.500 pessoas no México e ameaça atravessar a fronteira rumo aos EUA.

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