De “inglês mínimo” à cirurgia invasiva mínima
Imigrante supera a barreira do idioma e torna-se diretor do St. Luke’s – Roosevelt Hospital
As pessoas que não o conhecem custam a acreditar que em 1979 o médico Júlio Teixeira, na época um adolescente recém chegado de Cabo Verde, abandonou os estudos secundários em New York porque não entendia o que os professores diziam aos alunos. Entretanto para o Dr. Teixeira, diretor de Cirurgia Bariatrica e chefe do Departamento de Cirurgia Invasiva Minima do St. Luke’s – Roosevelt Hospital, em Manhattan (NY), a memória desta terrível experiência o faz lembrar da longa jornada que o levou onde encontra-se hoje.
As ilhas de Cabo Verde, localizadas próximas ao Marrocos, forneceram uma infância tranqüila, onde o Dr. Teixeira ia à praia constantemente sem a companhia de seus pais desde os 7 anos de idade. Aos 44 anos, traços dessa infância ainda são notados em seus gestos. Filho de um professor afetado pela poliomielite na infância e uma dona de casa, ele sempre recebeu o apoio deles, especialmente quando demonstrou interesse em anatomia quando ainda jovem.
Antes de 1975, Cabo Verde era ainda uma colônia portuguesa e para adquirir educação acadêmica, seus moradores tinham que deixar as ilhas. Em 1975, o país conquistou a independência e, por isso, recebeu bastante ajuda internacional. Jovens da idade de Júlio pempetiam para “conquistar” bolsas de estudos, entretanto, ele não estava interessado em competir com seus conterrâneos para esse tipo de ajuda, pois queria vir aos Estados Unidos para estudar.
Embora, os Estados Unidos oferecesse bolsas de estudo através do Instituto Afro-Americano, Dr. Teixeira não optou por isso também. Ao invés, ele e sua família imigraram todos para os EUA, para adquirirem o ensino universitário. Nos primeiros meses, eles ficaram na casa de uma tia em New York. Júlio falava “crioulo” e português, mas nenhuma palavra de inglês e foi justamente nessa época que ele passou pela experiência dramática do ensino secundário. Meses depois, através de conceções que seus pais tinham em Rhode Island, a família mudou-se e Dr. Teixeira inscreveu-se num curso de ESL (Inglês como segunda língua). Uma vez que começou a aprender inglês, ele destacou-se na escola.
Depois de formar-se no ensino secundário, ele foi aceito pela Boston University e depois retornou à New York City para terminar o bacharelado no City College. Júlio estudou na Temple University Medical School e fez sua residência no New York Medical College. Além disso, ele completou o curso de cirurgia invasiva mínima. Embora nunca tenha planejado ficar nos Estados Unidos (ele não tinha a mínima idéia que os estudos médicos demorariam 12 anos, muitos empréstimos e longos horários), com o passar do tempo, seus amigos de escola viviam aqui e grande parte de sua vida adulta era nos Estados Unidos. Seus pais ficaram nos EUA até a formatura, posteriormente, retornando a Cabo Verde. Todo verão, eles retornam aos EUA para visita-lo.
Em colaboração com alguns colegas de início de carreira, Dr. Teixeira criou uma organização chamada Medical Training Worldwide. O objetivo do projeto era levar as técnicas de cirurgia invasiva mínima a países do terceiro mundo. Ele e seus colegas de profissão viajaram nações pobres na África, Ásia e América Latina. Eles ensinaram a nova técnica aos médicos locais e, então, deixavam os equipamentos quando partiam.
O Dr. Teixeira também atua como voluntário entre alunos e líderes comunitários na região de Massachusetts, onde reside uma grande colônia caboverdiana. Desde 1800, quando imigrantes caboverdianos radicaram-se no local para trabalhar na pesca de baleia e bacalhau, a comunidade tem aumentado consideravelmente.
Dr. Júlio Teixeira vive em Manhattan (NY) e tem um filho.



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