Brasileira é barrada e tem visto cancelado em aeroporto dos EUA

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Os agentes cancelaram o visto de turista de Maria Juliana Passos (detalhe) e a embarcaram em um voo de volta ao Brasil

Maria Juliana Passos teve o perfil no Facebook vasculhado por agentes de segurança

Após ser barrada no aeroporto quando tentava entrar nos Estados Unidos, Maria Juliana Passos, natural de Rondônia, postou em sua página no Facebook o drama vivido por ela. A dançarina participaria de um programa de residência artística envolvendo brasileiros e americanos, recomendado pela instrutora Leda Muhana. O projeto visa o intercâmbio cultural entre artistas do Brasil e EUA através de aulas e a montagem de um projeto.

Ainda na Alfândega, Maria Juliana relatou que os agentes informaram-lhe que o “perfil” dela: Mulher, solteira, sem filhos, dançarina, negra e brasileira não conferia credibilidade suficiente de que não estivesse tentando entrar no país paga ganhar dinheiro ilegalmente, disse ela ao jornal Rondônia VIP. Como resultado, ela teve o visto de turista cancelado e passou 16 horas numa sala de interrogação, em companhia de 2 pessoas que também foram impedidas de entrar nos EUA.

. Agentes vasculham redes sociais:

Na interrogação, os agentes pegaram o aparelho celular de Maria Juliana e a obrigaram a revelar a senha, através da qual vasculharam mensagens, perfil nas redes sociais, fotografias, e-mails e contatos. Ela detalhou que as autoridades americanas a acompanharam até a porta da aeronave, cujo destino era o Rio de Janeiro, para garantir que a brasileira embarcaria naquele voo.

“Me deixaram só com a roupa que vestia, sem qualquer pertence, trancada por mais 16 horas até o próximo voo para o Rio de Janeiro. Eu dividi essa sala fria que tinha um banheiro sujo, 1 sofá e algumas cadeiras com uma indiana e uma nigeriana que chorava e repetia sem parar ‘I’m so sad, I’m so sad’ (Eu estou tão triste, em tradução livre). Por horas, esse mantra foi a trilha do meu silêncio em pensamentos que não achavam soluções para tamanha sensação de impotência”, relatou Passos ao VIP.

Desde o início de 2017, os solicitantes de visto para a entrada nos Estados Unidos têm suas páginas nas redes sociais vasculhadas. O Departamento de Segurança Interna (DHS) aprovou o projeto de lei que autoriza as agências de segurança, o Departamento de Imigração (ICE) e órgãos consulares consultar informações nas redes sociais. O objetivo principal da decisão é identificar suspeitos de envolvimento em atividades terroristas. Já no princípio do ano, os solicitantes de visto quando preencheram o formulário de aplicação encontraram o campo onde deve ser informada “a presença (perfil) online”. Vários ativistas defensores dos direitos dos imigrantes e ONGs criticaram a decisão, considerando-a “invasão de privacidade”, especialmente com relação aos países islâmicos. A American Civil Liberties (ACLU) posicionou-se contra a consulta nas redes sociais.

. Crise é obstáculo:     

A crise econômica no Brasil faz com que cada vez mais brasileiros tentem entrar nos EUA em busca de trabalho, o que aumenta o índice de rejeição nos pedidos de visto. O Embaixador Sérgio Amaral, indicado pelo governo interino de Michel Temer para assumir a Embaixada do Brasil em Washington-DC, disse que o Brasil atualmente está cada vez mais distante de fechar um acordo de isenção de vistos com os EUA. Ele citou a crise econômica brasileira como o fator principal para que isso aconteça. Com a crise, mais pessoas tentar vir para os EUA em busca de trabalho e mais vistos são negados, aumentando o índice de rejeição. A eliminação de vistos é concedida aos países com índice de rejeição abaixo de 3%, entretanto, o Brasil já ultrapassou essa porcentagem.

Para visitar os EUA, cidadãos da maioria dos países, excluindo 38 nações (programa Visa Waiver), devem aplicar para vistos nas embaixadas e consulados espalhados pelo mundo. A ênfase no processo de veto infere que, conforme o sistema atual, pesquisar um candidato por comportamento inapropriado e crença é até possível. Otto Von Bismark disse: “Política é a arte do possível” e essa realidade é vivida pelas pessoas que trabalham nas missões consulares.

 

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