Brasileiro leva luta contra a deportação à Corte Suprema

Foto5 Wescley Pereira e Gail Meister Brasileiro leva luta contra a deportação à Corte Suprema
Enquanto aguarda a decisão da Corte Suprema, Wescley Pereira (de costas) tenta levar a vida normalmente e interage com a vizinha Gail Meister (Foto: WBUR.gov)

Wescley Pereira imigrou aos EUA com 19 anos de idade e há 16 anos reside em Martha’s Vineyard (MA)  

Na segunda-feira (23), a Corte Suprema dos EUA ouviu os argumentos orais no caso Pereira vs. Sessions; o qual para milhares de imigrantes poderá ser o precedente que significará a diferença entre permanecer no país e ser deportado. No âmago da disputa judicial, está o brasileiro Wescley Pereira, de 37 anos, que permaneceu nos EUA após o vencimento do visto de turista e vive há quase 16 anos em Martha’s Vineyard (MA). As informações são do WBUR.org.

Popularmente conhecida como a “Meca” das férias, a população no balneário explode durante os meses movimentados do verão. Ao longo da estação, os residentes permanentes aproveitam para fazer reformas nas casas. Pereira e a norte-americana Gail Meister são vizinhos há mais de uma década e as residências de ambos compartilham uma única passagem para carros (driveway) que termina num gramado amplo. Eles riem ao lembrarem os 6 gambás que viviam sob a residência da vizinha no verão de 2017.

Sentado na sala de jantar de sua casa, Wescley detalha como imigrou aos EUA através de um visto de turista aos 19 anos de idade e nunca mais saiu do país. Após morar em Boston (MA) por alguns anos, ele tentou a vida em Vineyard, onde, segundo ele, há muito trabalho para as pessoas dispostas a trabalhar arduamente. Desde então, a ilha tornou-se o lar dele e de sua família. Atualmente, ele é casado, pai de 2 filhas e trabalha como pintor, faz-tudo (Handyman) e na jardinagem. As crianças são cidadãs americanas natas e nasceram na ilha. A qualidade de vida das filhas é a maior razão pela qual Pereira resolveu ficar. Entretanto, por mais que ele e sua família gostem de viver no famoso balneário, o futuro dele é incerto.

Tudo começou em 2006 quando as autoridades migratórias enviaram a ele uma “Nota de Comparecimento”; acusando-o de não ter obedecido o vencimento do visto de turista. Conforme os estatutos, essa “Nota” deveria ter determinado uma data e horário para a audiência, entretanto, não determinou. Esses detalhes que faltam é que formam a base do caso levado à Corte Suprema e que determinarão o futuro de Pereira.

Conforme especialistas, uma vez que uma “Nota de Comparecimento” é emitida, ela cancela o tempo que um imigrante tenta acumular de 10 anos de presença física nos EUA. Caso sejam completados 10 anos, o imigrante em processo de deportação poderá solicitar o “cancelamento de remoção” (Cancellation of removal). Entretanto, para isso o imigrante terá que provar viver pelo menos 10 anos contínuos nos EUA, não possuir antecedentes criminais e provar que o dependente direto americano passaria grande dificuldade se o provedor estrangeiro fosse deportado.

Corte de Apelações por todo o país têm discordado no que diz respeito as quais informações devem conter numa “Nota de Comparecimento”. Essa divergência é que faz o caso de Pereira ideal para a Corte Suprema. Enquanto aguarda a decisão dos magistrados, Wescley disse que tenta não pensar muito no futuro.

“Eu tento não pensar muito sobre isso, pois não ajuda, então, eu tento focalizar em outras coisas porque não irá ajudar. Simplesmente espere, esse é o meu foco agora”.

 

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