Como o fim da “neutralidade na net” afetará os internautas?

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Companhias como a Comcast, Verizon e AT&T estão livres para desacelerar ou bloquear acessos a serviços que elas por ventura não gostarem

As companhias poderão cobrar mais caro dos concorrentes e fazer com que eles paguem mais por transmissões mais rápidas

Agora que o Governo Federal cancelou as proteções na internet implantadas há 2 anos, a grande pergunta é: O que o cancelamento da “neutralidade na net” significa para os internautas? Em curto prazo, a resposta é simples: Não muito. Entretanto, com o passar do tempo, a capacidade de assistir tudo o que quisermos online e o uso de aplicativos (app) preferidos podem começar a mudar.

. Lentidão proposital na internet:

A fornecedora de telefonia celular, por exemplo, poderá começará a oferecer ofertas imperdíveis em assinaturas do seu próprio serviço de vídeos, ao mesmo tempo em que o aplicativo do usuário para assistir ao YouTube começará a apresentar erros de conexão inexplicáveis. O internauta poderá acordar um dia e saber que o provedor de internet de banda larga teve uma desavença com a Amazon.com e, portanto, diminuiu a velocidade do site de compras para extrair concessões comerciais.

Tudo isso será perfeitamente legal depois que a Comissão Federal de Comunicações (FCC) aprovou o cancelamento da “neutralidade na net”, na quinta-feira (14), abandonando o princípio antigo de que todo o tráfego na internet deva ser tratado com igualdade. A decisão representa o distanciamento radical de mais de uma década de fiscalização federal. As companhias gigantes da telecomunicação vinham tentando arduamente o cancelamento das regras, alegando que são fiscalizadas em excesso e que isso desencoraja o investimento em redes de banda larga.

“O que o FCC está fazendo hoje? Perguntou o chefe do FCC, Ajit Pai, republicano. “Bem simples, nós estamos restaurando a forma tática que tem governado a internet na maioria de sua existência”.

. Possibilidade de favoritismo:

Conforme as novas regras aprovadas na quinta-feira (14), companhias como a Comcast, Verizon e AT&T estão livres para desacelerar ou bloquear acessos a serviços que elas por ventura não gostarem. Elas também poderão cobrar mais caro dos concorrentes e fazer com que eles paguem mais por transmissões mais rápidas ou oferecer “bandas rápidas” para os serviços preferidos e, em contra partida, relegar os outros a “bandas lentas”.

Essas possibilidades têm provocado temor entre os ativistas defensores dos direitos dos consumidores, democratas, companhias de web e internautas devido a possibilidade das companhias gigantes de telefonia e cabo controlarem aquilo que as pessoas veem e fazem online. Em curto prazo, especialistas preveem que as companhias “se comportarão de forma exemplar”, em parte, devido às ações judiciais inevitáveis contra o FCC manterá o holofote neles. Grupos de ativistas como o Free Press e o Public Knowledge adiantaram que participarão de ação judicial contra as determinações de Pai. A Promotoria Pública de Nova York prometeu liderar uma ação envolvendo vários estados, a Promotoria Geral de Massachusetts e o estado de Washington também planejam processar.

Ângelo Zino, analista da CFRA Research, previu que a AT&T e Verizon sejam as duas companhias mais beneficiadas, pois agora ambas gigantes da internet pode priorizar os filmes, shows de TV, vídeos e música que eles oferecem aos seus clientes. Isso poderá prejudicar rivais como a Sling TV, Amazon, YouTube ou empresas novas (startups) que ainda surgirão.

 

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