Faixa Preta brasileira que lutaria em Mundial é barrada na Imigração

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A faixa preta Sabatha Lais estava indo pelo 4º ano consecutivo ao Campeonato Mundial e nunca tinha tido problemas (Foto: ESPN)

Campeã brasileira, Sabatha Laís foi impedida de entrar nos país quando chegou ao aeroporto na Califórnia

Alguns atletas que tinham como objetivo competir o Campeonato Mundial em Long Beach, Califórnia, foram barrados antes mesmo de sair do Brasil. Muitos deles, tiveram o visto negado por mais de 4 vezes. Mas com a Sabatha Laís, faixa preta da equipe Ryan Gracie, foi diferente: ela foi impedida de entrar no país já estando no aeroporto de Los Angeles (CA) e passou por momentos de pânico. As informações são do website da ESPN.

No blog da Mayara Munhos, Sabatha compartilhou o drama vivido por ela.

Todos os anos, acontece na Califórnia o Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu da IBJJF. A primeira edição do mundial foi em 1996, no Rio de Janeiro. Em 2007, porém, ele foi sediado nos EUA e, atualmente, pode-se dizer que a Walter Pyramid é o ‘cantinho oficial’ do jiu-jitsu nessa época do ano, que começou em 30 de maio.

Mas há um problema tem assombrado os atletas brasileiros que querem chegar até lá: o visto. Embora em muitos outros anos tenhamos ouvido histórias de vistos negados, esse ano falou-se muito mais sobre a situação; talvez por conta da situação política do país. Não existe um acordo bilateral em que o brasileiro pode entrar livremente nos EUA, ao contrário dos cidadãos estadunidenses no Brasil, além de japoneses, canadenses e australianos.

Sabatha Laís, faixa preta da Ryan Gracie, teve um problema muito mais constrangedor do que a negação. Com passaporte regulamentado e visto em dia, ela viajou até lá, chegou a Los Angeles e foi barrada na imigração.

A faixa preta estava indo pelo 4º ano consecutivo e nunca tinha tido problemas. Ela fez uma participação extraordinária no Campeonato Brasileiro, que aconteceu em maio, chegando à final do peso e do absoluto e chegaria na ‘Pirâmide’ como um grande nome a ser batido. Entretanto, não aconteceu.

Na imigração, ela passou pela primeira triagem, o policial fez as perguntas normalmente e ela respondeu, mas o ‘entrevistador’ pediu um minuto  e chamou uma pessoa para conversar com ela. De lá, ela foi levada para outra sala, onde ficou esperando durante cerca de 40 minutos.

“Me fizeram as mesmas perguntas, o cara me perguntou o que eu ia fazer e eu respondi de novo. Ai ele falou que era mentira”, contou Sabatha. “Eu falei que era verdade, expliquei que sou faixa preta e ele perguntou se tinha provas de que estava inscrita no campeonato. Fui no meu e-mail, mostrei o comprovante da IBJJF com o meu nome, categoria e enfim… Entreguei meu celular para ele ver, ele pegou um papel e me deu, dizendo que meu celular estaria preso para averiguação”.

Sem entender, Sabatha admitiu que sabia dos riscos de ser barrada, já que é algo comum entre os brasileiros, mas que imaginou que nunca aconteceria com ela. Depois de ter o celular levado durante cerca de meia hora, ela novamente foi chamada e encaminhada para outra sala. Nessa sala, ela ficou durante cerca de 20 horas e nesse período de tempo, foi sendo chamada para responder as mesmas perguntas, feitas de forma diferente. “Humilhante. Isso é uma humilhação. O tempo todo, (eles) ficavam tirando foto minha igual marginal mesmo. Eu estava sendo revistada como marginal e eu falando que estava indo ali para lutar, com a inscrição feita, local certo de ficar, data certa de vir embora. Não era a primeira vez que eu estava indo, era o quarto ano consecutivo”, disse.

Sabatha também desabafou sobre a hora em que se sentiu mais humilhada. Em um dado momento, o oficial a chamou novamente. “Ele me chamou e falou em espanhol: ‘Parabéns, você luta muito bem’; e eu falei que não tinha entendido, achei que ele estava me zoando. Ele respondeu: ‘Eu olhei no YouTube, até mesmo no seu celular suas lutas, parabéns, você luta muito bem’; ai eu comecei a chorar e falei: ‘pelo amor de Deus, você viu que não é mentira minha, me deixa entrar, me deixa lutar’; e ele falou: ‘não, você não é bem-vinda no meu país’. Voltei para a sala, fiquei durante cinco ou seis horas esperando eles me colocarem em um voo para voltar para cá”.

A faixa preta também agradeceu por falar um pouco de inglês e ter conseguido se comunicar, mas relembrou que tinha uma francesa na sala quando ela chegou que não falava absolutamente nada do idioma, e que quando Sabatha saiu, ela continuava lá, sem entender o que estava acontecendo. No final, Sabatha nem sabe o motivo por não terem a deixado entrar nos EUA.

“A sensação é de impotência, de ter sido roubada. De terem me tirado o que era meu, de uma forma nojenta, ridícula, sem ter ao menos uma explicação”, foi como afirmou ter se sentido Sabatha, que ainda está pensando em como correr atrás do prejuízo, já que ainda não teve nem tempo e nem cabeça para pensar em como pode recorrer a situação. E sem ter a certeza se vai poder disputar um Mundial novamente, já que ela não recebeu nenhuma recomendação sobre poder ou não voltar ao país.

“O visto eu ainda não sei. Não sei se barraram minha entrada dessa vez ou se barraram por um tempo. Eu realmente não tive cabeça para ver isso”, finalizou Sabatha.

 

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