Filme brasileiro “Soundtrack” estreia nos EUA

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O personagem de Selton Mello convive outros 4 homens, com os quais precisará dividir não apenas a hospedagem, mas relações de confiança e intimidade

O ator Selton Mello, atua com Ralph Ineson, Thomas Chaanhing, Seu Jorge e Lukas Loughan

O ator Selton Mello lançou na sexta-feira (12), o filme “Soundtrack” nos Estados Unidos. Decidido a realizar uma exposição de arte, o fotógrafo Cris (Selton Mello) viaja até uma estação de pesquisa polar para se isolar e tirar “selfies” que capturem as sensações causadas por uma série de músicas pré-selecionadas. No local, ele conhece o botânico brasileiro Cao (Seu Jorge), o especialista britânico em aquecimento global Mark (Ralph Ineson), o biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) e o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran). Os cinco precisam conviver juntos e descobrem diferentes perspectivas sobre a vida e arte.

A obra é uma investida do cinema nacional com perfil de produção internacional. Falado em inglês na maior parte de sua projeção, o longa-metragem acompanha os passos do brasileiro Cris (Selton Mello), um fotógrafo que viaja para uma estação de pesquisa polar com o propósito de um projeto único e desafiador. O introspectivo protagonista, que intensamente busca o isolamento do mundo (ele não levou qualquer equipamento para a comunicação exterior, vide computador ou celular, como revela em determinado momento), é um novo passo na carreira de Selton Mello. O ator abraça o personagem e lhe dá as boas vindas, aos poucos se assentando na pele de Cris, pronto para entregar um desempenho memorável, sutil, porém, com bastante fervor e força equilibrando.

Seus anfitriões no local são outros 4 homens, com os quais precisará dividir não apenas a hospedagem, mas relações de confiança e intimidade como talvez nunca antes em sua vida. Mark, vivido pelo ótimo Ralph Ineson (o patriarca do notável “A Bruxa”), é seu contato direto e com quem irá conviver no alojamento. Um britânico de personalidade forte, que talvez já tenha passado mais tempo do que deveria no local. Com um filho por nascer, o sujeito trabalha num projeto científico envolvendo balões meteorológicos, que precisam ser lançados diariamente.

Fora Mark, a estação conta com o líder da equipe, o asiático Huang (Thomas Chaanhing), o médico dinamarquês Rafnar (Lukas Loughan) e outro conterrâneo, o botânico Cao (Seu Jorge). Com estes desconhecidos, Cris irá compartilhar questões existenciais, alegrias, sofrimento e tragédias, nesta aventura extrema e desafiadora da vida humana.

O roteiro e direção de “Soundtrack” são assinados pela dupla Manitou Felipe e Bernardo Moura, conhecidos pelo apelido “300ml”. Os cineastas acertam em cheio o clima claustrofóbico e criam boas interações humanas entre os personagens. Também saem de forma bem resolvida dos conflitos criados com esmero na trama, como o momento em que Cris enfrenta a morte.

Um filme brasileiro cuja história se passa no Polo Norte. As filmagens ocorreram em estúdio, mas para a lógica da trama, estamos em um cenário muito distante da realidade nacional. A intenção é esquecer origens, geografias e confrontar homens a um “não-espaço”, um horizonte infinito marcado por frio e solidão. Neste local, o fotógrafo brasileiro Cris (Selton Mello) encontra britânicos, chineses e dinamarqueses de diferentes áreas, forçados à convivência durante a extensão de suas atividades. A dupla brasileira “300ml” se sai bem na tarefa da ambientação. Como o lugar constitui um personagem em si, é fundamental que o público possa acreditar nas distâncias, no isolamento, no frio, nas cores brancas, na amplidão do gelo em relação aos quartos mínimos e metálicos onde dormem os personagens. O “Soundtrack” se desenvolve através de uma melancolia constante, ao mesmo tempo em que em revela carinho.

 

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