Fuzileiro veterano enfrenta deportação por certidão de nascimento mexicana

Foto3 Agente da CBP Fuzileiro veterano enfrenta deportação por certidão de nascimento mexicana
O veterano da Marinha não foi acusado de crime, mas foi demitido pelo Departamento de Alfândega & Proteção das Fronteiras (CBP) em julho

Raul Rodriguez, de 51 anos, também perdeu o emprego como agente da Alfândega em San Benito (TX)

Em 2018, o oficial Raul Rodriguez trabalhava na alfândega dos EUA há 18 anos quando investigadores internos o confrontaram com um documento que ele nunca tinha visto antes: sua certidão de nascimento mexicana. Na ocasião, Rodriguez, 51, funcionário da alfândega do Vale do Rio Grande, no Texas, levou um susto. Ele viveu nos EUA desde que se lembrava e não fazia ideia de que ele realmente nasceu do outro lado da fronteira em Matamoros, México.

“Foi o meu pior medo”, disse ele em uma entrevista em sua casa em San Benito, Texas.

O veterano da Marinha não foi acusado de crime, mas foi demitido pelo Departamento de Alfândega & Proteção das Fronteiras (CBP) em julho, perdeu seu seguro de saúde e teve seu pedido de residência permanente (green card) rejeitado este mês. Ele e sua esposa, Anita, de 54 anos, agente do Departamento de Segurança Nacional (DHS), têm a esperança de manter seus benefícios de aposentadoria.

Durante várias gerações, os mexicanos que vivem na fronteira obtiveram a segunda certidão de nascimento nos EUA para seus filhos, geralmente através de uma parteira, para que os jovens pudessem frequentar a escola nos EUA. Aqueles cujos passaportes foram posteriormente descobertos solicitavam a cidadania ou residência legal permanente (green card). Nos últimos anos, isso se tornou mais difícil, mesmo para funcionários federais como Rodriguez.

As autoridades do Texas dificultaram a obtenção de certidões de nascimento e classificaram centenas outras como suspeitas, ou seja, 246 documentos desde o início de 2019. Muitas certidões foram obtidas através de parteiras no sul do Texas. A parteira que assinou a certidão de nascimento nos EUA de Rodriguez esteve envolvida em vários outros casos antes de ela morrer em 2005, de acordo com registros do Tribunal Federal.

“A divisa entre os EUA e México é uma área do país onde ocorre incidência significativa de fraudes na cidadania”, afirmou o Departamento de Estado, na segunda-feira (25), em comunicado. “Essa fraude incluiu casos em que parteiras e outras assistentes de parto, além de registrar legitimamente nascimentos nos Estados Unidos, aceitaram dinheiro e apresentaram certidões de nascimento nos EUA para bebês na realidade nascidos no México”.

Ainda conforme o comunicado, as autoridades solicitam às pessoas que possuem certidões de nascimento registradas por uma parteira suspeita de envolvimento em fraudes, bem como aquelas que possuem certidão de nascimento nos EUA e no estrangeiro que forneçam evidências adicionais, como arquivos em hospitais, registros médicos e escolares, documentos religiosos ou depoimentos daqueles com “conhecimento pessoal dos fatos do nascimento”.

Os advogados do Texas entraram com centenas de casos judiciais nos últimos anos em nome de pessoas que tiveram seus passaportes negados devido a certidões de nascimento supostamente fraudulentas. O advogado de Rodriguez, Jaime Díez, pratica no sul do Texas há 20 anos e disse que atrasos e negações de passaportes se tornaram tão comuns nos últimos dois anos, que são corriqueiros na profissão.

“Para mim, é uma obsessão do governo federal que os hispânicos não devam estar aqui”, disse Díez recentemente em seu escritório em Brownsville (TX).

Os Serviços de Cidadania e Imigração (USCIS) notaram Rodriguez depois que ele forneceu sua certidão de nascimento para ajudar o irmão no México a solicitar um passaporte americano. Quando Rodriguez foi confrontado por investigadores federais em abril de 2018, ele imediatamente se ofereceu para ajudá-los a interrogar seu pai, Margarito Rodriguez, um fazendeiro aposentado que vive do outro lado da fronteira do Vale do Rio Grande, perto de Nuevo Progreso, e tem um visto para entrar nos EUA. O idoso, de 77 anos, encontrou-os numa lanchonete Starbucks perto da casa de seu filho. Quando os investigadores perguntaram sobre a certidão de nascimento mexicana, o homem mais velho inicialmente se recusou a responder, disse Rodriguez. Ele percebeu que o filho estava chateado e abaixou a cabeça.

“Apenas me diga a verdade”, disse o jovem Rodriguez. Foi quando seu pai confirmou que Rodriguez nasceu em Matamoros e foi enviado para morar com a família no vale do Rio Grande aos 5 anos.

Em abril de 2018, a investigação interna da CBP isentou Rodriguez de irregularidades e concedeu a ele 3 anos para voltar ao trabalho, disse ele, caso pudesse obter a cidadania dos EUA ou o green card através da esposa. Entretanto, o USCIS negou seu pedido de cidadania em junho de 2018, culpando-o por ter afirmado falsamente ser um cidadão dos EUA e ter votado ilegalmente. A agência também negou seu pedido de residência em 29 de outubro. Seu advogado apresentou uma moção para reabrir o caso de residência em 12 de novembro, mas nada é certo.

A família está mais decepcionada com o CBP, conhecido por seus uniformes como “camisas azuis”.

“Tudo aconteceu, sabíamos que teríamos a ‘onda azul’ para nos apoiar”, disse Anita Rodriguez. “Agora, quando os vemos, eles agem como se não nos conhecessem. Nada mudou. Ele (Raul) ainda é a mesma pessoa, mas eles o estão tratando como um pária”.

Uma exceção foi um funcionário da alfândega que assediava Rodriguez quando criança, ameaçando mandá-lo de volta ao México. Ela mudou de comportamento quando eles trabalharam juntos. Recentemente, ela ligou para oferecer apoio. “Você estava certo”, ele disse tristemente. “Você poderia ter me enviado de volta”.

 

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