ICE acelera liberação de famílias detidas na fronteira com o México

Foto8 Capitolio Massachusetts 1 ICE acelera liberação de famílias detidas na fronteira com o México
A política chamada “liberação coordenada” permite que as famílias sejam liberadas mais rapidamente e em números maiores

As autoridades alegam a falta de espaço e verba para manter os estrangeiros detidos

O Governo Federal mudou a postura sobre como lidar com o fluxo de famílias imigrantes que chegam à fronteira dos EUA com o México. Apesar de o índice anual de prisões ainda estar abaixo de 2014, o número de famílias que chegam à região tem aumentado. Agentes da Patrulha da Fronteira (BP) detiveram mais de 16.600 familiares em setembro, o índice mensal mais alto desde que o órgão começou a monitorar o fenômeno em 2013. No passado, quando uma família estava sub custódia na fronteira sul do país, os agentes do Departamento de Imigração (ICE) avaliavam os planos das famílias de viverem nos EUA, incluindo telefonando para a pessoa que a família planejava viver e ajudavam nas viagens. Essa semana, o ICE anunciou que, devido ao número de famílias que chegam, os agentes não realizarão mais essas avaliações.

Isso significa que as famílias serão liberadas mais rapidamente e em números maiores, uma política chamada “liberação coordenada”, que vem sendo praticada desde o início de outubro no Arizona. Isso também significa que as famílias terão menos auxílio sobre como chegar aos destinos para que assim possam comparecer às audiências nos tribunais. Alguns ativistas defensores dos imigrantes especulam se tal decisão não tem o objetivo de criar caos na fronteira dias antes de os eleitores irem às urnas no início de novembro.

Grupos no Texas, onde o número de famílias que chegam é maior, já enfrentam dificuldades em lidar com o aumento do número e temem que tenda a crescer nos próximos dias. O comunicado do ICE culpa o Congresso e a decisão judicial que limita a detenção de menores em abrigos em até 20 dias. A administração tem pressionado a favor da ampliação do tempo de detenção e mais espaço para abrigar as novas chegadas até a conclusão dos processos na justiça.

“Infelizmente, nós não temos mais lugar; devido ao aumento dos números”, disse Kirstjen Nielsen, secretária do Departamento de Segurança Nacional (DHS), no início de outubro.

Os centros de detenção do país com 54% cheios, ou seja, 1.977 leitos ocupados do total de 3.654, segundo estimativas do ICE. Entretanto, o orçamento do órgão patrocina 2.500 leitos por dia e as famílias podem exigir mais espaço devido às diferenças de idade e sexo.

“As famílias continuam a cruzar a fronteira em volume alto e tendem a continuar, pois não enfrentam consequências por seus atos”, cita o comunicado. “Para impedir o risco de manter detidas as famílias além do tempo permitido, o ICE começou a suspender todas as revisões das famílias pós-liberação a partir de terça-feira (30)”.

O ICE informou que trabalhará com as autoridades municipais e estaduais  “para que elas ofereçam assistência no transporte e outros serviços”. As famílias serão liberadas com braceletes magnéticos no tornozelo e datas para comparecer aos tribunais. Isso já acontece regularmente na Califórnia, que não possui nenhum centro de detenção de famílias.

 

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