ICE cria universidade falsa para atrair suspeitos de fraude na imigração

Foto8 Universidade de Farmington ICE cria universidade falsa para atrair suspeitos de fraude na imigração
A fictícia Universidade de Darmington ocupava uma sala nesse prédio (detalhe)

Os suspeitos detidos podem pegar até 5 anos de prisão se forem condenados, informou o gabinete do procurador federal

“O programa de visto de estudante internacional também pode ser explorado e abusado”, disse um promotor público federal dos EUA. O Departamento de Imigração e Alfândega (ICE) criou uma universidade falsa na área de Detroit (Mich.) para prender suspeitos que supostamente recrutaram imigrantes indocumentados que queriam usar vistos de estudante para viver legalmente nos Estados Unidos. Oito suspeitos foram indiciados na segunda-feira (28) por suspeita de fraude de visto e “abrigar estrangeiros visando dinheiro”, conforme as acusações, divulgadas na quarta-feira (30).

Em 2015, um órgão do ICE estabeleceu uma faculdade fictícia, a Universidade de Farmington, como parte de uma operação secreta, de acordo com as acusações. “A universidade não tinha professores/educadores; não possuía currículo, nenhuma turma ou atividades educacionais eram realizadas”, afirma a acusação.

“De acordo com as acusações, entre fevereiro de 2017 a janeiro de 2019, os réus conspiraram uns com os outros e outros para facilitar fraudulentamente que centenas de estrangeiros que permanecessem e trabalhassem ilegalmente nos Estados Unidos, recrutando-os para matricularem-se em uma universidade privada na região metropolitana de Detroit que, sem o conhecimento dos criminosos, era operada por agentes especiais do HSI como parte de uma operação secreta”, revelou um comunicado.

Bill Ong Hing, professor de Direito na Universidade de São Francisco, disse nunca ter visto uma operação tão agressiva em sua vida profissional. “Há o conceito na lei criminal chamado ‘armadilha’, no qual as pessoas não estão inclinadas a fazer algo criminoso, mas são apresentadas a algo que não é apropriado pela lei”, disse Hing, autor do livro “Presidentes Americanos, Deportações e Violações de Direitos Humanos: De Carter a Trump”.

O caso em Detroit acontece em meio ao debate sobre a imigração, com o presidente Trump exigindo que o Congresso comece a financiar um muro ao longo da fronteira dos EUA com o México. Críticos alegam que aqueles que ultrapassam o período de permanência de seus vistos superam o número daqueles que cruzam a fronteira clandestinamente. No entanto, não está claro se as acusações são uma resposta a essa crítica, uma vez que a faculdade falsa foi “inaugurada” durante o governo Obama, de acordo com a Procuradoria Pública dos EUA.

“Estamos todos conscientes de que os estudantes internacionais podem ser um bem valioso ao nosso país, mas, como mostra este caso, o programa internacional de visto de estudante também pode ser explorado e abusado”, disse o Procurador de Detroit, Matthew Schneider.

Steve Francis, agente especial em Detroit, disse em um comunicado que sua equipe “descobriu uma rede nacional que explorava abertamente as leis de imigração dos EUA”. Os suspeitos recrutaram centenas de estudantes que viviam no país ilegalmente para registrá-los e fornecer evidências fraudulentas de que eles estavam em conformidade com os regulamentos de vistos, conforme as acusações. Os recrutadores teriam recebido, em alguns casos, milhares de dólares de intermediários para ajudar a matricular os alunos.

Os suspeitos foram identificados como Barath Kakireddy, de 29 anos, morador em Lake Mary (FL); Suresh Kandala, de 31 anos, residente em Culpeper (VA); Phanideep Karnati, de 35 anos, morador em Louisville (Ky); Prem Rampeesa, de 26 anos, morador em Charlotte (NC); Santosh Sama, de 28 anos, morador em Fremont (CA); Avinash Thakkallapally, de 28 anos, morador em Harrisburg (PA); Aswanth Nune, de 26 anos, morador em Atlanta (GA) e Naveen Prathipati, de 26 anos, morador em Dallas (TX).

 

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