ICE ignora juiz e prende indocumentados em tribunais de NJ

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O Juiz Stuart Rabner (foto) alegou que “consequências sérias” poderiam resultar, caso os imigrantes temessem em comparecer às audiências sob o risco de deportação

Stuart Rabner pediu ao DHS para acrescentar as Cortes à lista de “locais sensíveis” que o ICE evita realizar batidas migratórias

Em abril, o juiz mais poderoso de New Jersey pediu à administração Trump que parasse de prender imigrantes no interior dos tribunais no estado. Recentemente, o magistrado tomou conhecimento da resposta das autoridades migratórias: Não, de jeito nenhum.

Semana passada, agentes armados do Departamento de Imigração (ICE) à paisana prenderam um imigrante indocumentado na Corte do Condado de Middlesex, informou a Xerife Mildred Scott ao canal de TV WNYC. O indivíduo havia sido liberado pelas autoridades judiciárias, mas foi preso momentos depois por agentes do ICE. O motivo da detenção não foi divulgado.

A prisão do indocumentado ocorreu uma semana depois que o juiz chefe da Corte Suprema de New Jersey, Stuart Rabner, pediu ao secretário do Departamento de Segurança Nacional (DHS), John Kelly, para acrescentar os tribunais à lista de “locais sensíveis” que o ICE evita realizar batidas migratórias. Rabner escreveu que “consequências sérias” poderiam resultar, caso os imigrantes temessem em comparecer às audiências sob o risco de deportação. O magistrado argumentou que testemunhas, vítimas e réus podem não comparecer para testemunhar; comprometendo a segurança de todos.

Antes que o Presidente Donald Trump concedesse o livre arbítrio para que o ICE prendesse imigrantes indocumentados, segundo advogados, os agentes federais nunca realizavam prisões no interior de tribunais. Duas detenções anteriores motivaram a carta de Rabner. Um ocorreu em 31 de março na Corte do Condado de Middlesex, na qual um imigrante que havia sido vítima de um crime foi algemado por oficiais do xerife e entregue ao ICE.

. De vítima a criminoso:

Miguel Xicotencatl Toxqui, um imigrante indocumentado, feriu-se em decorrência de uma discussão de tr6ansito há 2 anos. Quando a polícia chegou ao apartamento dele para preencher o boletim de ocorrência, ele estava no hospital recebendo tratamento médico, enquanto 3 filhos menores estavam sozinhos na casa dele. O imóvel precisava de reformas. Miguel foi acusado de pôr em perigo o bem-estar de menores e foi liberado, depois de ter agendada uma audiência para 31 de março, detalhou o advogado de defesa.

O réu assumiu a culpa com relação à uma acusação mais branda, negligência infantil, que não considerada crime, explicou a promotora pública Lauren Bayer. Ele foi sentenciado a 1 ano de liberdade condicional e foi liberado.

“Foi nesse ponto que os agentes do xerife disseram que havia uma ordem de prisão (ICE) para ele”, relatou Bayer. “Eles o algemaram, o levaram para fora da sala de audiências e eu nunca mais o vi novamente”.

Na ocasião, a namorada de Miguel gritou com a promotora pública, pensando que ela fosse cúmplice dos agentes do ICE. “Por que você não nos disse?” Disse Lauren. “Eu tentei garantir-lhe que eu, também, não tinha ideia. Entretanto, isso não importava naquele momento; é uma questão de imagem. Eu acho que ela pensou, de alguma forma, que eu estivesse envolvida naquilo e certamente não estava”.

Miguel foi transferido para a Penitenciária do Condado de Essex, que possui contrato com o ICE para abrigar imigrantes. Ele pagou fiança e foi liberado, enquanto aguarda a data da próxima audiência, segundo a advogada brasileira de imig4ração, Norka Schell. Ela disse que o ICE não tinha um mandado de prisão para prendê-lo. Ela acrescentou que seu cliente agora tende a não ligar para a polícia se ele for vítima de outro crime.

Ainda essa semana, Schell disse que foi informada sobre um imigrante em White Plains (NY) que foi acusado de dirigir sem a carteira de motorista. Ele foi liberado,  mas agentes do ICE foram à sala de audiência e o prenderam.

 

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