ICE prende professor universitário que vive há 30 anos nos EUA

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O professor Syed Ahmed Jamal e os filhos de 7, 12 e 14 anos, todos nascidos nos EUA

Syed Ahmed Jamal entrou nos EUA com um visto de estudante e graduou-se em Ciências e Engenharia

Um professor universitário no Kansas, pai de 3 filhos e que vive nos EUA há 3 décadas foi detido por agentes do Departamento de Imigração (ICE) e agora enfrenta a deportação. Em 24 de janeiro, Syed Ahmed Jamal, natural de Bangladesh, se preparava para pegar a filha na escola quando os oficiais apareceram em frente a casa dele, na cidade de Lawrence, e o detiveram, relatou o irmão do professor, Syed Hussein Jamal.

“Isso foi inesperado. Ele nunca esperava que o ICE fosse lá”, acrescentou o irmão, que mora em Phoenix.

Quando a esposa surpresa de Jamal tentou dar-lhe um abraço de despedida, os agentes do ICE a impediram, alertando-a que “eles poderiam prendê-la por interferência”, caso ela não deixasse quer o levassem imediatamente.

Jamal, de 55 anos, é instrutor de química e entrou legalmente nos EUA com um visto de estudante na década de 80, segundo o advogado que representa a família, Jeffrey Y. Bennett. Ele tem 3 filhos, de 7, 12 e 14, todos cidadãos americanos natos, e não possui antecedentes criminais, exceto por 2 multas por excesso de velocidade as quais há muito tempo já foram pagas, detalhou Bennett.

A prisão foi “bastante traumatizante para toda a família”, comentou o advogado.

Jamal possui uma história longa de tentar regularizar o status migratório. Ao longo dos anos, ele adquiriu vários vistos de estudante enquanto se graduava em Ciência e Engenharia, e, então, o visto H-1B para profissionais altamente qualificados. Na época da prisão, ele havia ignorado um aviso de saída, mas tinha recebido permissão para permanecer nos EUA sob supervisão.

A família tinha consciência que Jamal sofria um pouco de risco, apesar de ter sido beneficiado por uma política de prioridades formalizada pelo então Presidente Barack Obama. Ele é um membro querido na comunidade que se envolveu no comitê escolar dos filhos e professor respeitado na universidade. A prisão dele é similar a diversos outros casos desde que o Presidente Donald Trump assumiu o poder em 2017, incluindo o de um pai de família em Michigan que vivia nos EUA há 30 anos e foi deportado em janeiro para o México.

Jamal está detido a mais de 150 milhas (241 Km) de onde reside, no Centro de Detenção do Condado de Morgan, em Missouri. Uma petição postada no website A Change.org pedindo ao ICE para que o professor permaneça nos EUA já coletou mais de 32 mil assinaturas até a tarde de terça-feira (6) e uma campanha beneficente no GoFundMe.com já arrecadou mais de US$ 24 mil para as despesas com advogados.

Através de um comunicado, o ICE informou que Jamal ultrapassou o prazo de um visto temporário no passado e desobedeceu uma ordem judicial de sair dos EUA. O órgão acrescentou que “Jamal chamou a atenção do ICE em setembro de 2012. Tendo como base uma ordem de detenção ativa pelo próprio ICE, ele foi transferido para a custódia do Departamento em 11 de setembro de 2012, da Penitenciária do Condado de Johnson (Kansas)”.

Bennett, não informou os detalhes da prisão, mas insistiu que o cliente dele não possui antecedentes criminais, a não ser multas de trânsito.

O comunicado do ICE continua: “Ele foi liberado da custódia do ICE sob uma ordem de supervisão em novembro de 2012. Em 21 de maior de 2013, o Comitê de Apelações da Imigração (BIA) cancelou a apelação de Jamal de cancelar a ordem de deportação”. O irmão do professor nega que tenha havido qualquer acusação criminal em 2012 e que ele foi parado no trânsito uma vez em 2012, “somente isso”.

Numa carta redigida pelo filho mais velho de Jamal, Taseen, e postada no website do advogado, o jovem relatou que, desde a prisão do pai, “o meu irmão caçula chora todas as noites, a minha irmã não consegue se concentrar na escola e eu não consigo dormir à noite”.

“O meu pai telefonou para a gente e chorou como uma criança porque estava pensando o que poderia acontecer conosco se ele for deportado”, concluiu o menino.

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