ICE reclama que alerta de prefeita evitou mais de 800 prisões

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O alerta da Prefeita Libby Schaaf é o sinal mais recente da tensão crescente entre a Califórnia e a administração Trump com relação à “jurisdição santuário”
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O diretor do ICE, Thomas Homan, criticou o alerta à população de Libby Schaaf e a comparou à uma “olheira de gangue”

Libby Schaaf postou no Twitter que agentes de imigração realizariam batidas na cidade de Oakland (CA)

Na quarta-feira (28), as autoridades federais de imigração informaram que cerca de 800 “criminosos” não foram detidos porque a prefeita da cidade de Oakland (CA), Libby Schaaf, alertou o público da operação surpresa. O aviso fez com que um número extraordinário de imigrantes indocumentados não fosse preso.

Thomas Homan, diretor do Departamento de Imigração (ICE), disse ao canal de TV Fox News que a postagem da Prefeita no Twitter foi “além do imaginável” e a comparou a uma olheira de quadrilha que avisa as pessoas quando uma viatura da polícia se aproxima. Ele acrescentou que o Departamento de Justiça está avaliando se Schaaf obstruiu a justiça.

O alerta público da Prefeita dado na quarta-feira (28) ocorreu poucas horas antes que o ICE iniciasse uma batida no norte da Califórnia, a qual resultou na prisão de 150 pessoas. O órgão não detalhou como chegou ao total de 800 pessoas que não foram presas ou respondeu outras perguntas relacionadas à operação, que começou no domingo (26). Danielle Bennett, porta-voz do ICE, disse que mais informações seriam divulgadas ao longo da semana.

John Torres, diretor do órgão durante o final da administração George W. Bush e do início da de Barack Obama, detalhou que geralmente os agentes prendem 40% das pessoas visadas em tais batidas. Os alvos geralmente fogem das autoridades porque os agentes não possuem mandados judiciais de prisão e grupos defensores dos direitos dos imigrantes organizam campanhas de conscientização encorajando as pessoas a não abrirem as portas. Já em outras vezes, os endereços das pessoas estão desatualizados ou elas não estão em casa. Não é possível calcular quantas pessoas teriam fugido da captura sem o alerta da Prefeita, mas Homan a culpa pela fuga de 800 indivíduos e que a atitude dela pôs em risco a segurança dos agentes.

“Há mais de 800 criminosos que representam de forma significativa ameaça à segurança pública; tratam-se de pessoas que estão aqui ilegalmente e cometeram algum tipo de crime ou foram condenadas por crimes”, disse Thomas a Fox. “Ela os alertou, então, há 800 indivíduos que não puderam ser localizados por causa desse alerta, portanto, essa comunidade está menos segura do que deveria estar”.

A alegação de Homan que 800 pessoas não foram presas, mais as 150 detenções, em somente 3 dias, revelam uma operação grande e incomum para os padrões do órgão. Há 2 semanas, o ICE prendeu 212 pessoas numa batida que durou 5 dias na região metropolitana de Los Angeles (CA). A batida de 7 dias realizada no Texas, em fevereiro, resultou na prisão de 145 pessoas.

O ICE detalhou que cerca de metade das pessoas detidas na região metropolitana de San Francisco possuem antecedentes criminais, além de violações das leis de imigração, incluindo agressão, porte ilegal de armas e dirigir intoxicado. É impossível conferir esses números, pois o órgão se recusa a divulgar os nomes das pessoas detidas. No comunicado divulgado na quarta-feira (28), somente 1 indivíduo teve o nome informado.

No sábado (24), Schaaf postou no Twitter que tomou conhecimento de “diversas fontes seguras” a iminência de uma batida migratória na região metropolitana de San Francisco, incluindo Oakland, nas próximas 24 horas. A Prefeita, que concorre à reeleição esse ano, defendeu novamente suas ações na quarta-feira (28), alegando que foi informada por “fontes oficiais” e que não revelou os lugares específicos.

Perguntada sobre a acusação de ter agido como uma “olheira de gangue de rua”, ela rebateu que “a administração Trump está tentando distrair a população americana, convencê-la de que esses imigrantes são perigosos. Isso não podia estar mais longe da verdade e é baseado no racismo”.

Lara Bazelon, professora de Direito da Universidade de San Francisco, disse ser altamente pouco provável que Libby seja processada judicialmente. “Seria muito difícil para o ICE provar que ela estava obstruindo a justiça porque teria que apresentar evidências de que ela sabia que o órgão estava atrás de pessoas específicas  e eu simplesmente não vejo elementos disso”, explicou.

 

 

 

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