Imigração prende mais indocumentados sem antecedentes criminais

Foto26 John Sandweg  Imigração prende mais indocumentados sem antecedentes criminais
“Quando você remove todas as prioridades, é como um pescador que poderá preencher a cota dele em qualquer lugar”, disse o antigo diretor do ICE, John Sandweg

Em janeiro de 2017, Trump assinou um decreto de lei criminalizando todos os indocumentados nos EUA

Nas últimas semanas, vários casos de imigrantes, indocumentados ou não, foram manchetes na mídia nos EUA, pois, por razões humanitárias, seus casos não seriam prioridade na administração anterior: Um médico nascido na Polónia em Kalamazoo, um residente legal que viveu nos EUA desde os 5 anos, um pai no Arizona que foi trazido aos EUA com 1 ano de idade e foi deportado apesar de o filho de 5 anos sofrer de câncer, um instrutor de química numa universidade em Kansas que imigrou há 30 anos e detido quando deixava a filha na porta da escola, uma mãe na Virgínia deportada para El Salvador depois de 11 anos nos EUA detida durante uma parada de trânsito, o ativista de Nova York, Ravi Ragbir, detido em janeiro, mas liberado por um juiz federal.

Durante sua campanha eleitoral, o Presidente Donald Trump prometeu “soltar as rédeas” do Departamento de Imigração (ICE). No ano fiscal de 2017, o órgão prendeu 105.736 estrangeiros com qualquer tipo de antecedente criminal, entretanto, o ICE deteve mais que o dobro de indocumentados que não possuíam antecedentes criminais nenhum, totalizando 37.734.

O American Civil Liberties Union (ACLU) alertou que o ICE parece estar “focalizando cada vez mais em ativistas que publicamente se opõem ou resistem a agenda de combate à imigração da administração Trump”, ao ampliar a interpretação da 1ª Emenda Constitucional.

Os agentes do ICE alegam que todas as prisões e detenções tiveram como base o uso da lei e os juízes federais de imigração tomam a decisão final na deportação ou não. O jornal NY Post destacou que as prisões de indocumentados ocorridas em 2017 foram bem  mais baixas que no início da administração Obama. Entretanto, críticos rebatem que os agentes, favorecidos pelo livre arbítrio, estão pegando alvos fáceis para cumprir a cota de Trump, deportando pessoas cuja a única infração é estar indocumentado nos EUA, geralmente uma violação civil e não criminosa.

O antigo diretor regional do ICE, John Sandweg, disse ao Post que existe a questão da segurança pública. O ICE possui recursos para deportar cerca de 200 mil pessoas ao ano, detalhou ele. “Quando você remove todas as prioridades, é como um pescador que poderá preencher a cota dele em qualquer lugar”, portanto, ao invés de os agentes do ICE perseguirem os “criminosos maus, agora a função deles é manter cheios os leitos nos centros de detenção”.

 

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