Departamento de Imigração libera estudante ilegal em NJ

Daniel Humbarto Guadron, 19 anos, ficou 7 meses preso no Centro de Detenção da Imigração em Elizabeth (NJ)

Ele nasceu no dia 4 de julho, uma ironia que ele somente valorizaria posteriormente, durante o período escuro de sua vida quando liberdade e independência se tornaram mais que meras palavras nos livros de história na escola secundária. O estudante Daniel Humbarto Guadron, 19 anos, natural da Guatemala, tem superado obstáculos a maior parte de sua vida, a maioria das vezes como um guerreiro alegre, conquistando admiradores a todo instante, segundo o NJ.Com.

Não somente por destacar-se na escola: Nota 10 em todas as matérias e domínio da língua inglesa em apenas poucos meses após ter chegado da Guatemala aos 13 anos de idade, sem contar a fluência em francês. Ele tirou a nota máxima em todos os testes de matemática na escola.

De repente, em um dia frio de abril de 2008, o jovem de 18 anos desapareceu. Agentes de imigração realizaram uma batida em Trenton (NJ). Daniel estava na cama, mas ele sabia porque as autoridades batiam à sua porta: sua mãe, Luisa, que havia acabado de sair para o trabalho. Ele se recusou a dizer onde ela estava, disse ele durante entrevista à Associated Press.

Então, Daniel foi algemado e posto numa viatura. Eles dirigiram 52 milhas até Elizabeth (NJ), um centro de detenção sem janelas, próximo ao Newark Liberty International Airport. Lá, ele recebeu um macacão azul e foi detido com outros 300 imigrantes.

“Por que estou sendo tratado como um criminoso?!” Pensou ele. “Quando fiz algo de errado?!”

Não demorou muito para ele aprender sobre a realidade dos centros de detenção nos Estados Unidos, onde todos os anos cerca de 350 mil solicitantes de asilo político e imigrantes ilegais são detidos por tempo indeterminado, enquanto o Governo decide seus destinos.

Daniel sabia que imigrantes podem ser deportados caso não tenham os papéis apropriados. Inúmeros ilegais vivem em Trenton e ele já havia ouvido verdadeiras histórias de terror sobre as batidas realizadas por agentes do ICE (Departamento de Imigração). Ele tinha consciência que seus pais, separados há anos atrás, estavam trabalhando com um advogado para legalizarem o status migratório da família. Mesmo assim, ele ainda não conseguia entender porque estava sendo punido, pois ele tinha o numero do Seguro Social e uma permissão para estudar e trabalhar enquanto o caso da família estava pendente.

Sua mãe chorava ao telefone, prometendo que o advogado faria todo o possível para libertá-lo. Mas dias viraram semanas e Daniel começou a perder as esperanças. Ele sentia falta de seus colegas de futebol, seus livros, sua mãe. Sua família não podia visitá-lo porque temia ser presa também.

Em Trenton, a notícia se espalhou rapidamente: “Eles levaram Daniel!”

No Centro de Detenção de Elizabeth, o advogado descobriu que Daniel havia sido preso devido à uma aparente confusão burocrática: O ICE informou que a família havia faltado à uma audiência junto à Corte e, por isso, foi considerada passível de deportação e apresentava risco de fuga.

O advogado vem tentando regularizar o status migratório da família através do Nicaraguan Adjustment and Central American Relief Act, que provê ajuda a à família de determinados países da América Central, se um membro da família viver nos EUA um determinado número de anos, como o pai de Daniel (Uma solução final sobre o caso está agendada para outubro de 2009).

No dia 30 de outubro do ano passado, após quase 7 meses de detenção, Daniel pisava no estacionamento do centro de detenção. Sua irmã Sara estava esperando. Ela passou o dia assinando papéis e coletando doações de parentes para pagar a fiança de US$ 3 mil. O advogado conseguiu reabrir do caso da família e, assim, garantir a liberação do jovem.

A detenção mudou Daniel; todos percebem. Sara brinca que a situação o fez mais “bacana”, mais apreciador das coisas. Outros especulam se o seu espírito de luta não foi eliminado e sua determinação em vencer na vida será a mesma.

Na escola ele recuperou rapidamente o tempo perdido; conquistando 10 em todas as matérias. Com a ajuda da conselheira escolar, ele conquistou três pequenas bolsas de estudo, que cobrem metade do custo do Mercer County Community College. Daniel espera que até o final do ano ele já possua a residência permanente (Green Card) e, assim, possa conseguir uma transferência para o Instituto Tecnológico de New Jersey – NJIT.

No último 24 de junho, Daniel Humbarto Guadron pôs o chapéu de formatura e, sob o aplauso de milhares de pessoas reunidas em um estádio no centro de Trenton, ele recebeu o seu diploma do Ensino Secundário. Ele graduou-se em 63º lugar numa classe de 456 formandos. Esse foi o momento mais feliz de sua vida. Do lado de fora, sua mãe, avó e irmã o cobriram de abraços. Professores deram-lhe os parabéns. Daniel sorria e agradecia a todos, prometendo-lhes que ele não os desapontaria e que um dia “o mundo conheceria o nome Daniel Guadron”.

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