Prisão de brasileiros causa temor entre imigrantes em Massachusetts

Os quatro brasileiros foram detidos por agentes de imigração quando seguiam para o trabalho na construção civil no município de Allston – MA

No município de Allston (MA), o imigrante brasileiro Jailton Tavares, 35 anos, seguia para o trabalho quando um homem bateu no vidro de seu carro, mostrou-lhe uma carteira de motorista emitida na Califórnia e perguntou se ele conhecia a pessoa na fotografia. Tavares respondeu-lhe que não, mas o homem continuou a fazer perguntas e pediu-lhe documentos de identificação, que no caso era o seu passaporte.

“Depois que ele fez várias perguntas e viu o meu passaporte, ele disse: Você está preso. Eu sou da Imigração”, disse Tavares.

Em 30 de janeiro desse ano, às 6 e meia da manhã, Jailton Tavares, Wesley de Farias, 22 anos, Elson de Oliveira, 36 anos, e um quarto indivíduo foram presos por agentes do Departamento de Imigração (ICE). Todos seguiam para o trabalho na construção civil, disseram eles à página eletrônica WickedLocal, através de uma entrevista traduzida pela ativista comunitária Heloísa Galvão, co-fundadora do Brazilian Women’s Group. Os quatro brasileiros foram liberados com aparelhos magnéticos no calcanhar.

Embora enfrentassem deportação, Tavares, Farias e Oliveira tentavam conseguir dinheiro para pagar a fiança e, assim, terem os aparelhos magnéticos removidos. Com esses aparatos atados ao calcanhar, os patrões não dariam emprego e, conseqüentemente, eles não poderiam sustentar suas famílias, contratar advogados ou juntar dinheiro para uma possível volta ao Brasil.

“Com algo assim, as pessoas pensam que você fez algo muito ruim”, disse Farias, que vive nos Estados Unidos há 6 anos. “Eles pensam que você é um criminoso”.

Embora todos eles alegarem querer ficar no país, eles começaram a preparar-se para a deportação ou a saída voluntária. Oliveira vive há 7 anos nos Estados Unidos e tem dois filhos nascidos nos Estados Unidos. Caso ele tenha que deixar o país, as crianças irão junto, por isso, ele começou a providenciar seus documentos brasileiros.

“Não acho que eles terão problemas no Brasil”, disse Oliveira. “Mas eu quero ficar aqui. Tenho dois filhos norte-americanos e quero criá-los aqui. Será mais difícil para eles no Brasil”.

Tavares, residente no país há 8 anos, disse ser “impossível” mudar-se legalmente para os Estados Unidos, caso viva no Brasil. “Mesmo como turista é difícil”, disse ele.

Apesar de terem sido presos em janeiro, nenhum deles disse ter tido problemas anteriores com as autoridades. “Faço o imposto de renda todos os anos. Nunca fui parado pela polícia”, disse Oliveira. Este é um bom país. “Eles (Autoridades) não me perseguem”.

Em 23 de janeiro, agentes da Unidade Operação Fugitivos do ICE prenderam 9 imigrantes brasileiros em Brighton (MA), disse Paula Grenier, porta-voz do órgão. Entre os presos, 5 deles possuíam ordens de deportação, o que significa que um juiz já havia determinado a saída deles do país, 2 reentraram ilegalmente nos EUA depois de terem sido deportados e 2 estavam ilegais, detalhou Grenier. Os dois brasileiros que não possuíam ordens de deportação não ficaram detidos.

As prisões geraram alerta entre a comunidade brasileira residente na região de Allston-Brighton. “As pessoas estão psicologicamente traumatizadas devido ao medo. Muitos sequer querem sair de casa”, disse Oliveira.

Os brasileiros detidos disseram que algumas pessoas mudaram-se do prédio onde eles moravam, na Washington St. ou deixaram de falar com eles em virtude do medo de que o ICE também os persiga.

O conhecimento de seus direitos pode ser muito útil na luta contra a deportação, disseram os advogados Nancy Kelly e John Willshire Carrera.

“Eles (ICE) podem perguntar qualquer coisa. Eles não têm que dar nenhum aviso”, disse Kelly. “Por outro lado, você não tem que testemunhar contra si mesmo”.

“Muitos imigrantes vêm de países onde a polícia tem o direito de perguntar por documentos de identificação”, acrescentou o advogado. “Eu digo para as pessoas não mentirem, não agirem de forma rude, mas simplesmente dizerem não”.

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