Imigrante adolescente morre sob a custódia do ICE

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As mortes dos menores provocaram fortes críticas dos defensores dos direitos dos imigrantes sobre os cuidados que as crianças recebem enquanto estão sob custódia (Foto: NPR.org)

A morte do jovem ocorreu meses após o falecimento de 2 outras crianças imigrantes que ficaram doentes sob custódia do governo dos EUA

Um imigrante guatemalteco de 16 anos morreu sob custódia dos EUA, dias depois de chegar ao abrigo do Escritório de Reassentamento de Refugiados. O jovem faleceu na terça-feira (30) em um hospital infantil do Texas, onde ele foi tratado por vários dias na unidade de terapia intensiva (UTI), de acordo com uma declaração escrita de Evelyn Stauffer, porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos para Crianças & Famílias.

“A causa da morte está atualmente sob investigação e, de acordo com as políticas e procedimentos padrão da RRO, o caso estará sujeito à revisão completa”, disse Stauffer.

A declaração de Stauffer não identifica o menino e nem detalha as instalações do governo onde ele foi mantido. O jovem foi descrito como “menor estrangeiro desacompanhado”, o termo usado pelos funcionários para crianças migrantes que chegam aos Estados Unidos sem pais ou responsáveis.

Uma fonte próxima ao caso disse que o menino mostrou sinais de aflição no dia seguinte à sua chegada à Casa Padre, um antigo prédio da rede supermercados ex-Walmart em Brownsville, Texas, que é um dos maiores abrigos do país para menores desacompanhados.

O menino foi levado a um hospital local duas vezes e acabou sendo transportado de helicóptero para um hospital infantil em Corpus Christi, no Texas, relatou a fonte.

O Ministério das Relações Exteriores da Guatemala disse na quarta-feira (1) que o menino havia passado por uma cirurgia de emergência no hospital depois de apresentar uma infecção grave em seu lobo frontal. A infecção não melhorou, disse o Ministério das Relações Exteriores, mesmo após a cirurgia, para aliviar a pressão no crânio do menino.

A morte do adolescente ocorre meses após o falecimento de 2 outras crianças imigrantes que ficaram doentes sob custódia do governo: Jakelin Caal Maquin, de 7 anos, e Felipe Gómez Alonzo, de 8 anos, ambos mortos em dezembro sob custódia da Patrulha da Fronteira (CBP).

Esses casos provocaram fortes críticas dos defensores dos direitos dos imigrantes sobre os cuidados que as crianças recebem enquanto estão sob custódia. Eles também resultaram em audiências no Congresso e a decisão das autoridades de imigração de aumentar os exames médicos das crianças sob custódia.

O jovem de 16 anos era originalmente de Camotán, Guatemala, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Guatemala.

Declarações divulgadas por autoridades norte-americanas e guatemaltecas na quarta-feira (30) detalham os dias que antecederam sua morte:

  • Em 19 de abril, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Guatemala, o menino cruzou a fronteira dos EUA perto de El Paso, Texas, e foi detido pela Patrulha da Fronteira.
  • Na noite de 20 de abril, ele foi transferido para o abrigo da ORR, disse Stauffer. Antes de sua chegada, nenhuma preocupação com a saúde foi observada pelos clínicos do CBP, disse Stauffer, e eles “não notaram nenhum problema de saúde” quando chegou ao abrigo.
  • Em 21 de abril, disse Stauffer, o menino ficou “visivelmente doente, incluindo febre, calafrios e dor de cabeça”. O pessoal do abrigo levou-o para uma sala de emergência do hospital naquela manhã. Ele foi tratado e liberado de volta ao abrigo mais tarde naquele dia, disse Stauffer.
  • Na manhã de 22 de abril, depois de sua saúde não ter melhorado, ele foi levado para outro pronto-socorro do hospital por meio de ambulância. “Mais tarde, naquele mesmo dia, o menor foi transferido para um hospital infantil no Texas e foi tratado por vários dias na unidade de tratamento intensivo do hospital”, disse Stauffer.
  • O menino foi submetido a uma cirurgia de emergência naquele hospital, informou o Ministério das Relações Exteriores da Guatemala. Em 30 de abril, após dias de tratamento intensivo de 24 horas, ele morreu lá.

As autoridades não sabem se a criança teve uma condição preexistente ou ficou doente durante sua viagem da Guatemala, disse Silvia Samines, vice-cônsul do Consulado da Guatemala em McAllen, Texas.

 

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