Imigrantes expulsos das Forças Armadas enfrentam deportação

Foto13 Recrutas do MAVNI Imigrantes expulsos das Forças Armadas enfrentam deportação
Cerca de 10 mil imigrantes alistaram-se através do programa MAVNI como forma de acelerar a conquista da cidadania americana (Foto: Military Times)

Nos últimos meses, as Forças Armadas dispensaram dezenas de recrutas beneficiados pelo programa MAVNI sem mais explicações

O sonho de Xiongzhou Zhang de se tornar cidadão americano ao alistar-se nas Forças Armadas começou a se desfazer depois de uma batida em sua porta em julho. Um imigrante chinês e aluno de Mestrado, Zhang, morador em Nova York, alistou-se em 2016 com a promessa de obter a cidadania expressa por seus serviços, incluindo a fluência no idioma mandarim que o Pentágono necessitava. Entretanto, ao invés de um uniforme, ele acabou portando um bracelete GPS no tornozelo, após 10 agentes de imigração terem vasculhado a casa dele em Rochester (NY), onde ele mora com a esposa e o filho de 1 ano e 8 meses, na manhã de 16 de julho. O casal foi ameaçado de deportação porque o status legal dele havia expirado.

“Nós baseamo-nos em meu contrato na busca dos nossos sonhos”, disse Zhang, de 29 anos. “O contrato não nos deu a cidadania, o emprego, os salários e o respeito. Ele apenas nos pôs na prisão”.

Ele é apenas mais um das dezenas de recrutas que as Forças Armadas dispensaram nos últimos meses sem mais explicações desde que a administração Trump, em 2017, abandonou o programa “Military Accessions Vital to the National Interest” (MAVNI), que foi criado com o objetivo de recrutar imigrantes legais de alta capacidade como Zhang. Critérios novos nos processos de verificação de antecedentes fizeram que muitos recrutas não pudessem ser liberados para o treinamento básico; por razões que muitos deles ainda não sabem. Um memorando datado de 20 de julho e divulgado na imprensa na quinta-feira (9) revelou que os superiores foram instruídos a pararem de processar tais dispensas. Entretanto, ainda não é claro qual será o futuro daqueles que ainda não foram autorizados a treinar  ou futuros soldados como Zhang que já receberam as ordens de alistamento. Até agora, eles estão em um limbo, pois retornar a seus países de origem depois de ter servido as Forças Armadas nos EUA pode significar a sentença de morte para alguns deles.

Na China, a decisão de Zhang de se alistar nas Forças Armadas dos EUA poderia ser vista como “traição”. Na rede social Sina Weibo foram postadas várias ameaças contra os soldados chineses do programa MAVNI. “Eles traíram o próprio país deles”, diz uma postagem. “Mate-os!”

O programa MAVNI foi criado logo após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 com o objetivo de diversificar as Forças Armadas e obter a tão necessária variedade linguística. Cerca de 10 mil imigrantes alistaram-se como uma forma de acelerar a conquista da cidadania americana, entretanto, ao longo dos anos, o programa foi foco de investigação intensa e, em 2017, o Pentágono o suspendeu completamente.

 

 

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