Imigrantes legais podem ser presos e deportados por votar nas eleições dos EUA

Foto18 Eleicoes EUA Imigrantes legais podem ser presos e deportados por votar nas eleições dos EUA
As leis eleitorais americanas proíbem não cidadãos de votarem nas eleições presidenciais, considerando o ato fraude eleitoral

Vários residentes legais permanentes (green card) foram presos na Carolina do Norte e acusados de fraude eleitoral

Os 20 imigrantes recentemente acusados de votarem ilegalmente na Carolina do Norte durante as eleições de 2016, talvez, nem soubessem que fosse inelegíveis, revelou a entrevista e revisão de seus casos pelo jornal HuffPost. Entretanto, eles ainda podem ser condenados, presos e até deportados sem que o Departamento de Justiça (DOJ) prove que eles tinham a intenção de burlar a lei.

Casos envolvendo votação ilegal, incluindo não cidadãos votando, são raros e não é comum os promotores federais processarem judicialmente os envolvidos. As acusações anunciadas semana passada não envolvem qualquer tipo de conspiração para sabotar as eleições. Ao invés disso, as acusações reveladas na sexta-feira (31) enfatizam como a confusão sobre o registro eleitoral pode ser considerada conduta ilegal mesmo que não esteja claro que os acusados compreenderam que cometiam um crime.

Muitos dos acusados, a maioria deles residentes legais permanentes (green card), pediram a presença de intérpretes nas audiências, levantando dúvidas se eles tinham noção do fato de não serem cidadãos dos EUA os impedia de votar. As entrevistas do Huffpost indicaram que eles erroneamente acreditavam que eram elegíveis para votar ou que as autoridades os registrariam somente se fossem elegíveis.

“Eu tenho um histórico limpo. Eu nunca prejudiquei ninguém”, disse um dos entrevistados, detalhando que foi detido e algemado em casa. “Isso é muito louco. Eu nunca tive problemas com a lei ou coisas desse tipo”.

A única cidadã americana que também é acusada, Denslo Allen Paige, de 66 anos, funcionária do Walmart e residente em Raleigh, disse ao jornal que ajudou o namorado dela a se registrar a poucas semanas das eleições presidenciais de 2016 porque ele falava muito sobre política. Ela não tinha certeza se o namorado, portador do green card, ela elegível para votar, então, quando preencheu o formulário de registro, deixou em branco o quadrado que perguntava sobre a cidadania do futuro eleitor. Uma cópia do formulário provida perlo Comitê Eleitoral e de Ética da Carolina do Norte mostra um “X” no quadrado “sim”, mas Paige insiste que ela não marcou.

Denslo já trabalhou como mesária antes e pensava que alguém perceberia o quadrado em branco no formulário e a enviaria à uma mesa separada para perguntar sobre o status migratório do namorado dela. Entretanto, quando perguntou se ele poderia votar, um mesário aceitou o formulário e indicou que o namorado podia votar, então, Paige pensou que estivesse tudo bem.

Na sexta-feira (31), ela foi acusada de “ajudar” o namorado a alegar falsamente a cidadania americana para que pudesse votar. Caso seja considerada culpada, ela poderá ser condenada a até 5 anos de prisão e pagar multa de US$ 250 mil. O namorado dela, Guadalupe Espinosa Peña, um mexicano de 63 anos, enfrenta até 6 anos de prisão e multa de US$ 350 mil por alegar falsamente a cidadania e votar ilegalmente.

Paige disse que ficou horrorizada quando a polícia bateu à porta dela antes das 6 horas da manhã, na quarta-feira (29). Ela relatou que não sabia da extensão da punição que enfrentaria até que um jornalista a explicou. Como a maioria dos outros réus, ela está sendo representada por um defensor público, pois não tem como arcar financeiramente um advogado particular.

“Eu estou morrendo de medo”, disse Paige. “Eu realmente não tinha certeza. Eu sou americana. Que diabos eu sei sobre estrangeiros?”

 

Related posts

Comentários

Send this to a friend