Indocumentados recebem treinamento “contra deportação”

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Os agentes do ICE não podem entrar em uma residência sem o consentimento do morador ou um mandado de prisão e busca

Os encontros públicos visam ajudar os indocumentados a evitar ao máximo qualquer problema, caso tenham contato com agentes de imigração

Não abra a porta se um agente de imigração bater. Caso seja detido, informe-lhes seu nome e nada mais. Definitivamente, não assine nada. Esses são alguns dos conselhos dados em New York City e outras partes do país durante sessões de treinamento organizadas por ONGs. Esses encontros públicos visam ajudar os imigrantes indocumentados a evitar ao máximo qualquer problema, caso tenham contato com as autoridades migratórias.

Batizado de treinamento “conheça os seus direitos”, os encontros são organizados por alguns grupos como forma de preparação para um possível combate à imigração clandestina pela administração Trump. Treinamentos similares ocorrem em Novo México e El Paso. O objetivo, segundo os organizadores, é oferecer aos indocumentados aconselhamento sobre como impedir legalmente as tentativas de detenção, basicamente utilizando táticas que visam impedir que os agentes obtenham qualquer dado sobre o imigrante. O Governo não pode deportar alguém, ao menos que prove que o indivíduo esteja ilegalmente no país.

Durante uma sessão de treinamento em Queens (NY), na terça-feira (7), pouco mais de 24 pessoas sentaram numa sala para ouvir Yaritza Mendez, coordenadora do grupo “Make the Road New York”. Ela abordou as várias formas que os agentes do Departamento de Imigração (ICE) podem encontrar uma pessoa e o que fazer se eles baterem à porta.

Mesmo os indocumentados que vivem nos EUA possuem direitos constitucionais, detalhou Mendez, como não estarem sujeitos a buscas e confiscos sem razão aparente, não responder perguntas e não assinar documentos sem antes conversar com um advogado. Voluntários da ONG participaram das encenações. A plateia riu quando uma mulher vestida com um colete com as iniciais ICE invadiu a porta depois de ter batido à porta.

“Eu tento fazer interativo porque é longo e bastante triste”, relatou Mendez.

Uma jovem sentada nos fundos da sala faz uma pergunta. Caso os agentes de imigração batam à sua porta e se ela abrir um pouco e mantiver a corrente presa? Não, respondeu Mendez, nem mesmo um pouco. Deixar um agente olhar para dentro do apartamento poderá dar a permissão para que eles entrem sem mandado de busca e prisão.

Outro conselho divulgado no treinamento: Verifique que os mandados de busca tenham os nomes e endereços corretos e sejam assinados por um juiz. Não ofereça informações. Não mostre aos agentes nenhum documento falso, uma vez que isso é crime e poderá piorar o problema. Prepare-se antecipadamente para o pior, por exemplo, pais em risco de serem detidos devem deixar preparados papéis indicando quem tomará conta dos filhos, ao invés de tentar encontrar alguém durante a emergência.

A maioria das pessoas no treinamento era indocumentada, entretanto, havia indivíduos como Pascalina Chirinos, de 63 anos, residente legal permanente natural da Venezuela, que vive nos EUA há 5 anos. Ela explicou que compareceu ao treinamento para poder compartilhar as informações com amigos e vizinhos, assim como aprender sobre seus direitos, caso também seja pega em uma batida migratória.

“Na realidade, todos nós estamos com medo”, disse Pascalina em espanhol. “O ar que respiramos está bastante tenso”.

Mendez disse que a ONG tem recebido ligações telefônicas de igrejas e outras instituições como hospitais locais para que os treinamentos sejam ministrados em suas instalações para funcionários e clientes. A atmosfera é de “medo”, comentou. “Você não sabe o que acontecerá no dia seguinte”.

 

 

Sobre o autor

O jornalista Leonardo Ferreira é formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, sediada no Rio de Janeiro - RJ.

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