Informante brasileiro ficará por tempo indeterminado nos EUA

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Renato Filippi foi detido quando tentava entrar clandestinamente nos EUA através da fronteira do Texas com o México em 2002

Renato Filippi poderá permanecer no país enquanto aguarda a decisão do caso

O informante brasileiro que enfrentava deportação e argumentava que os EUA não cumpriu o acordo de 15 anos que o permitia permanecer no país poderá, por enquanto, ficar, determinou uma Corte Federal de apelações, na sexta-feira (3). A Tribunal Federal de Apelações do 1º Circuito de Boston decidiu que é preciso tempo para rever o caso de Renato Filippi, de 58 anos, morador em Nashua (NH), que estava agendado para ser deportado na segunda-feira (6). O painel de 3 juízes informou que permitiria a permanência “sem garantir nenhum mérito ou jurisdição da petição apresentada para revisão”. Os magistrados não especificaram o tempo de permanência nos EUA.

“Não é comum, pois as pessoas tentam conseguir esse tipo de coisa todos os dias e raramente alguém obtém sucesso”, disse o advogado de defesa de Renato, Robert McDaniel.

. Entenda o caso:

Renato trabalhou durante mais de uma década como informante do Departamento de Imigração (ICE). Na ação judicial, ele alega que aceitou um acordo feito com as autoridades federais depois que detido quando tentava entrar clandestinamente nos EUA através da fronteira do Texas com o México em 2002. Na ocasião, ele aceitou atuar como informante confidencial e fonte de inteligência; em troca o governo federal permitiria que ele permanecesse nos EUA.

Renato tem vivido e trabalhado legalmente em Manchester desde 2003, mas os advogados dele informaram que ele foi posto em processo de deportação depois que Trump assinou decretos de leis que reestruturaram o cumprimento das leis migratórias. A ação judicial apresentada por Filippi busca uma injunção no processo de deportação até que o caso seja resolvido na justiça.

O Juiz da Corte Distrital dos EUA Paul Barbadoro, escolhido por George W. Bush, escreveu numa anotação que ele estava cancelando a ação judicial por questões de jurisdição. O caso do vbrasileiro foi apresentado ao US Bureau of Immigration Appeals, um fórum legal administrativo, e ao ICE, que pode emitir os vistos S-5 ou U. Esses vistos se aplicam às testemunhas e vítimas de crime. O advogado alega que a vida estaria em perigo caso ele seja deportado ao Brasil. Ele citou uma mensagem postada no website do Union Leader sobre Filippi.

“Então, esse é o cara que mandou o meu sobrinho José Martinez à prisão”, postou Johnny François, morador em Manchester.

“Isso confirma o que estamos dizendo o tempo todo”, disse Bruno. “Ele tem dado uma ajuda enorme ao governo dos EUA. Ele não é a pessoa que deveria ser deportada”.

“Ele foi bastante útil para eles durante nove anos; muita gente foi condenada por causa do trabalho dele. Tudo mudou com o Donald Trump”, acrescentou.

Através de um porta-voz, o ICE informou que não comenta litígios pendentes. “Entretanto, a falta de comentário não deve ser entendida como acordo ou estipulação de qualquer uma das alegações”, disse o porta-voz Shawn Neudauer.

A ação judicial envolve o Presidente Trump como acusado principal. Ela inclui a secretária interina do Departamento de Segurança Nacional (DHS), Elaine Duke, o diretor interino do ICE, Thomas Homan, e o supervisor do ICE em Manchester, Timothy Stevens. Ainda conforme e ação, Renato foi detido quase que imediatamente em 2002 quando entrou nos EUA clandestinamente nas proximidades de Abram, Texas. As autoridades federais recrutaram o brasileiro e durante 11 meses ele trabalhou como informante secreto do governo e fonte de inteligência contra os “coiotes” (traficantes de seres humanos).

“Ele concordou e efetuou trabalho perigoso requisitado pelo governo, incluindo dando testemunhos que resultaram em condenações”, alega a ação judicial. Durante esse período, Filippi e a família dele, que permaneceu no Brasil, receberam ameaças de morte. Ele mudou-se para Manchester em 2003 e adquiriu a permissão de trabalho, um cartão do Seguro Social e carteira de motorista. Ele tinha que fazer visitas regulares ao ICE. Ainda conforme a ação, ele continuou a trabalhar com as autoridades federais até 2009, auxiliando o DEA, FBI e inteligência estrangeira.

McDaniel,alegou que Renato proveu informações sobre ligações de organizações criminosas latino-americanas e grupos terroristas no Oriente Médio.  Ele detalhou que o governo dos EUA permitiu que a esposa e filha do brasileiro se juntassem legalmente a ele em 2005. Ambas receberam o green card. A filha dele tornou-se cidadã americana, graduou-se em Justiça Criminal na Universidade de Massachusetts, trabalha na Administração de Segurança no Transporte (TSA) e avalia uma oferta de emprego feita pelo Serviço Secreto.

 

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