Investigadora não acredita em naufrágio no sumiço de 12 brasileiros no mar das Bahamas

Foto24 Renato Soares de Araujo 1024x499 Investigadora não acredita em naufrágio no sumiço de 12 brasileiros no mar das Bahamas
O mineiro Renato Soares de Araújo, 32, é um dos 19 desaparecidos
Foto24 Sergio Castelhani Investigadora não acredita em naufrágio no sumiço de 12 brasileiros no mar das Bahamas
Sergio Castelhani, um dos brasileiros desaparecidos tentando entrar nos EUA via Bahamas

Jornalista conversou com os parlamentares da comissão externa que acompanha o caso

Depois de quase 5 meses passados do desaparecimento de 12 brasileiros que tentavam entrar clandestinamente nos EUA através das Bahamas, a comissão externa que acompanha o caso junto à Câmara dos Deputados exige mais rigor ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). A embarcação com os doze brasileiros e 5 dominicanos saiu das Bahamas em 6 de novembro de 2016 e, desde então, eles nunca mais foram vistos novamente ou fizeram contato com amigos e familiares. Entre as razões para o desaparecimento estão as possibilidades de naufrágio ou ação de coiotes (traficantes de seres humanos).

O Itamaraty tem até 10 dias para responder o pedido por informações feito pela comissão  e que pode ser enquadrado como crime de responsabilidade, caso não seja cumprido.

Na terça-feira (28), os políticos escutaram a jornalista Eulália Moreno, a profissional que investiga o incidente desde dezembro de 2016. Ela já publicou mais de 70 artigos com informações obtidas junto a outros jornalistas na região do Caribe, ativistas e parentes dos desaparecidos.

Eulália especula três outras possibilidades que levaram ao sumiço dos 12 brasileiros e 5 dominicanos: Eles continuam detidos nas Bahamas, teriam sido atacados por criminosos na praia antes de embarcarem ou foram sequestrados no mar por traficantes de drogas.

“O naufrágio interessa muita gente, pois é uma fatalidade. Agora, uma chacina, que denuncie quadrilhas que operam naquela região. O nosso mito é que as Bahamas são os cruzeiros, os cassinos, mas não, aquilo é uma terra de bandidos”, disse Moreno ao jornal Tribuna da Bahia, acrescentando que as autoridades brasileiras tentam evitar um incidente diplomático com as Bahamas.

Os parlamentares membros da comissão externa ouvirão o delegado Raphael de Luca, responsável por monitorar as investigações no Caribe, assim como os parentes dos desaparecidos.

Os brasileiros que pretendiam entrar clandestinamente nos EUA estão desaparecidos desde o dia 6 de novembro. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso desde o dia 15 de novembro. “Nessa data, familiares de brasileiros que viajaram às Bahamas informaram à Embaixada do Brasil em Nassau que haviam perdido contato com eles.”

Segundo a pasta, a informação do desaparecimento foi imediatamente repassada à Polícia Federal e às autoridades migratórias, policiais e guardas costeiras de Bahamas e dos Estados Unidos. O Itamaraty vem trabalhando em conjunto com essas instituições.

Até o momento, porém, não há informações sobre o paradeiro das pessoas ou do barco em que elas estavam. “Por meio da Embaixada do Brasil em Nassau e do Consulado-Geral do Brasil em Miami, o Itamaraty continua engajado na busca de informações, em contato permanente com as autoridades dos EUA e das Bahamas, bem como com as famílias dos brasileiros desaparecidos que procuraram auxílio”, diz a nota. Ela acrescenta que, por respeito à privacidade das pessoas desaparecidas, não divulga detalhes sobre a identidade delas.

Essa não é a primeira vez que a rota marítima entre Bahamas e a Flórida é utilizada. Já houve o caso de interceptação de outra embarcação com brasileiros a bordo.

 

Sobre o autor

O jornalista Leonardo Ferreira é formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, sediada no Rio de Janeiro - RJ.

Related posts

Comentários

Send this to friend