Jurados decidirão destino de indocumentado que matou americana

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José Inês Garcia Zarate é acusado de matar Kate Steinle

O crime colaborou para que a imigração clandestina fosse tema das eleições presidenciais em 2016

Na terça-feira (21), um grupo de jurados começou a decidir o destino de um imigrante mexicano indocumentado que matou a tiros uma mulher que passeava com o pai e um amigo num píer em San Francisco (CA). O crime provocou o debate acirrado sobre a imigração no país.

O júri é composto de 6 homens e 6 mulheres que avaliarão os argumentos de que José Inês Garcia Zarate era um morador de rua que matou Kate Steinle em decorrência de um acidente ou um assassino calculista cujo objetivo é jogar um jogo sujo. A vítima caminhava com o pai e um amigo da família num dia ensolarado em julho de 2015 quando foi atingida, caindo nos braços do pai.

Zarate, que também era conhecido por Juan Francisco Lopez Sanchez, tinha sido liberado da Penitenciária de San Francisco 3 meses antes do crime, apesar de agentes do Departamento de Imigração (ICE) ter pedido a prisão dele para deportação. Ele já havia sido deportado 5 vezes antes. A morte de Steinle colocou San Francisco e sua política “cidade-santuário” no holofote, enquanto democratas e republicanos criticaram as autoridades municipais por se recusarem a cooperar com as tentativas anteriores de deportar o réu.

Durante a campanha presidencial, o então candidato Donald Trump citou o assassinato da jovem como um exemplo para endurecer as políticas migratórias. Já eleito, ele assinou um decreto de lei que corta a verba das cidades que não colaborarem com o ICE. Na segunda-feira (20), um juiz federal bloqueou definitivamente tal decreto.

O fato de o réu ser indocumentado não foi permitido ser abordado no julgamento que durou 1 mês. O advogado de defesa Matt Gonzalez disse em seu discurso de fechamento que ele sabe que é difícil acreditar que seu cliente encontrou um objeto que acabou sendo uma pistola que disparou quando foi pega. Entretanto, o advogado disse ao grupo de jurados que Zarate não tinha motivos para matar Steinle e por pior que a morte dela seja, “nada que você faça consertará isso”. Ele pediu aos jurados para analisarem os fatos separadamente ao invés de engolirem os argumentos improváveis da promotoria; os quais ele alega foram baseados em evidências circunstanciais.

Já a Promotora Pública Distrital de San Francisco Diana Garcia disse aos jurados para olharem todo o cenário de um indivíduo que ficou girando em um banco no píer por mais de 20 minutos, contemplando sobre o que faria com a arma que ele trouxe. Ela acrescentou que o réu apontou a arma na direção de Steinle e correu quando outras pessoas tentavam entender o que havia acontecido. A bala ricocheteou no passeio de concreto do píer antes de atingir a vítima.

“Vocês são inteligentes. Vocês têm o senso-comum para conhecerem a natureza humana”, disse ela, desconsiderando o argumento da defesa de que outra pessoa abandonou a arma num píer lotado antes que Zarate chegasse lá.

A pistola semiautomática usada para matar Steinle havia sido roubada de um patrulheiro do Bureau of Land Management uma semana antes do crime. Os jurados decidirão sobre as acusações de homicídio em 1º grau, homicídio em 2º grau e homicídio involuntário.

Antes do crime, Zarate tinha cumprido a pena por reentrar ilegalmente nos EUA e foi transferido em março de 2015 para uma penitenciária em San Francisco para enfrentar a acusação de venda de maconha, cuja pena era de 20 anos de prisão. O escritório do xerife o liberou depois que a Promotoria Pública cancelou a acusação, embora as autoridades migratórias tenham pedido para detê-lo com o objetivo de deportá-lo.

 

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