Jurados se recusam a condenar ativista que ajudou imigrantes na fronteira

Foto7 Scott Daniel Warren Jurados se recusam a condenar ativista que ajudou imigrantes na fronteira
“Hoje, continua mais necessário que nunca que os residentes locais e ativistas humanitários se solidarizem com os imigrantes e refugiados”, disse Warren

Scott Daniel Warren era acusado de transportar e abrigar ilegalmente 2 imigrantes indocumentados numa cidade fronteiriça no Arizona

Na terça-feira (2), jurados não chegaram a um veredito contra um ativista que, segundo os advogados de defesa, estava simplesmente sendo gentil ao prover 2 imigrantes com água, alimento e abrigo quando foi preso no início de 2018. Scott Daniel Warren, de 36 anos, instrutor universitário de Geografia, foi acusado de conspirar para transportar e abrigar imigrantes num caso que grupos de ativistas consideravam refletir de forma significativa em seus trabalhos. Caso fosse considerado culpado, o réu poderia ser sentenciado a até 20 anos de prisão.

Os promotores públicos alegaram que os imigrantes não passavam necessidade e que Warren conspirou para transportar e abriga-los numa propriedade utilizada para ajudar imigrantes numa cidade no Arizona próxima a fronteira com o México. Ativistas alegam que estão sendo cada vez mais pressionados pelas políticas migratórias rigorosas de Trump.

Do lado de fora do prédio do tribunal, Warren agradeceu os apoiadores dele e criticou os esforços do governo em combater o número de imigrantes que entram nos EUA.

“Hoje, continua mais necessário que nunca que os residentes locais e ativistas humanitários se solidarizem com os imigrantes e refugiados. Nós devemos defender nossas famílias, amigos e vizinhos na mesma terra ameaçada pela militarização de nossas comunidades fronteiriças”, disse Warren.

Ele é membro do grupo de ativistas “No More Deaths” (Chega de mortes, em tradução livre), que são acusados de crimes por suas atividades, entretanto, Warren foi o único a ser acusado judicialmente. No Texas, uma promotora pública do condado foi detida no início desse ano depois de parar o carro dela numa rodovia escura para pegar 3 imigrantes jovens que acenaram para ela. Teresa Todd foi detida brevemente e os agentes federais vasculharam o telefone celular dela. Ativistas demonstraram preocupação com o que eles consideram a criminalização gradual de ações humanitárias.

Warren destacou que o caso dele pode iniciar o precedente perigoso ao expandir a definição de crimes envolvendo o transporte e abrigos de imigrantes, ou seja, incluindo pessoas que meramente tentam ajudar indivíduos desesperados por água ou outras necessidades. O grupo dele foi acusado de delito federal por ter deixado água, alimentos enlatados e outras provisões para os imigrantes que cruzam o parque nacional Cabeza Prieta, no sul do Arizona.

Os advogados de defesa de Warren alegaram que ele não poderia, em sã consciência, simplesmente ignorar dois imigrantes que haviam cruzado o deserto para entrar nos EUA. Na segunda-feira (1), os jurados não chegaram a um acordo, mas um juiz federal disse-lhes que continuassem a avaliar o caso. Na terça-feira (2), eles ainda não tinham chegado a um consenso e, então, cancelaram o caso.

Desde meados da década de 90, milhares de imigrantes morreram na travessia da fronteira, depois que o endurecimento das leis os forçou a cruzar os desertos escaldantes no Arizona.

 

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