Juri inocenta indocumentado acusado de matar americana

Foto12 Jose Ines Garcia Zarate e Kate Steinle Juri inocenta indocumentado acusado de matar americana
José Inês Garcia Zarate (esq.) foi inocentado de ter matado com um tiro Kate Steinle (centro) e Trump (dir.) reagiu com fúria ao veredito no Twitter

O caso ajudou a mobilizar a base eleitoral conservadora do então candidato presidencial Donald Trump

Na tarde de quinta-feira (30), um grupo de jurados votou a favor da inocência do morador de rua indocumentado, José Inês Garcia Zarate, acusado de ter matado com um tiro a americana Kate Steinle, de 32 anos, que passeava em companhia do pai e um amigo na Baia de San Francisco (CA). O trágico incidente intensificou e polemizou ainda mais o debate nacional sobre as cidades-santuário e ajudou a mobilizar a base eleitoral conservadora do então candidato presidencial Donald Trump.

Após 6 dias de deliberações, o júri da Corte Superior divulgou o veredito considerando o réu inocente da acusação de agressão com arma de fogo, concordando com o argumento do advogado de defesa que o tiro que ricocheteou no piso de concreto antes de perfurar o coração de Kate foi um acidente, com a arma disparando depois que Zarate a encontrou no mesmo local em 1 de julho de 2015. O imigrante mexicano de 45 anos havia sido libertado da Penitenciária do Condado antes do homicídio, apesar do pedido federal de detenção, pois ele já havia sido deportado 5 vezes, e foi considerado culpado da acusação de ser um condenado com posse ilegal de arma. Ele pode ser condenado a 1 ano e 4 meses, 2 anos ou 3 anos numa prisão especial. O réu, que já cumpriu bem mais de 2 anos de detenção receberá crédito por isso. A data da audiência para que seja ouvida a sentença ainda não foi agendada.

O veredito provocou uma enxurrada de reações. Os advogados de defesa disseram que o caso foi explorado, pois o Promotor Geral Federal Jeff Sessions culpou o crime à recusa na cooperação com os agentes do Departamento de Imigração (ICE). Jim Steinle, que caminhava no píer com a filha e um amigo quando ela caiu, disse que estava “triste e chocado”, acrescentando que, “a justiça foi apresentada, mas não feita”.

Zarate quase não demonstrou emoção durante a leitura do veredito, mas abraçou seus advogados. O defensor público, Jeff Adachi, cujo escritório representou o réu, disse que o cliente dele estava “extremamente aliviado”.

“Ele sabia o que estava em jogo; a vida dele estava em jogo”, comentou Jeff. “Eu acho que ele sente tremendo pêsame por Kate Steinle e a família dela, assim como nós, mas, infelizmente, esses tipos de acidentes trágicos, horríveis, acontecem todos os dias”.

Trump, que citou o caso para justificar a construção de um muro ao longo da fronteira com o México, postou no Twitter: “Um veredito infeliz no caso Kate Steinle! Não é de admirar que a população do nosso país esteja tão aborrecida com a imigração ilegal”.

O advogado de defesa, Francisco Ugarte, rebateu adotando uma postura diferente: “Desde o primeiro dia, esse caso foi usado como forma de fomentar o ódio, fomentar a divisão, fomentar um programa de deportação em massa. Eu acredito que hoje seja uma revanche para os direitos dos imigrantes”.

Apesar de ser considerado inocente do crime, o imigrante não será liberado. O ICE “agirá para obter a custódia do Sr. Garcia Zarate e definitivamente o removerá do país”, disse Tom Homan, diretor interino do órgão.

 

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