Líder conservador na imigração deixará a Casa Branca

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“Com o meu tempo como chefe do Comitê Judiciário terminando em dezembro de 2018, este é um passo natural”, disse Goodlatte

Bob Goodlatte não tentará a reeleição em novembro de 2018

Os ativistas migratórios conservadores perderão um aliado no outono de 2018, quando o congressista da Virginia Bob Goodlatte se aposentar do Capitólio e deixar vago o assento no Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados. Ainda no cargo, ele aprovou vários projetos de lei que se alinham com a agenda restritiva da administração Trump com relação ao tema. Na quinta-feira (9), ele anunciou que não tentará a reeleição em novembro de 2018, uma decisão que ele disse ter mais a ver com as restrições do cargo dele atual.

“Com o meu tempo como chefe do Comitê Judiciário terminando em dezembro de 2018, este é um passo natural e representa a oportunidade em começar um novo capítulo em minha carreira e passar mais tempo com a minha família, particularmente as minhas netas”, disse Goodlatte através de um comunicado.

No início do ano, o congressista atuou com a Casa Branca em vários projetos de lei que complementaram o combate do Departamento de Justiça na imigração e buscou cumprir pelo menos duas promessas de campanha do Presidente Trump. A primeira, “Kate’s Law”, que torna mais rigorosa a pena de quem foi deportado e tenta reentrar clandestinamente nos EUA. A lei foi batizada em homenagem à Kate Steinle, morta a tiros por um imigrante indocumentado na Califórnia que havia sido previamente deportado. A segunda, conhecida como “No Sanctuary for Criminals Act”, que corta a verba federal das cidades que protegerem imigrantes indocumentados da deportação. Em ambos os projetos de lei, aprovados na Câmara dos Deputados em junho, Trump e Goodlatte trabalharam juntos para conquistar o apoio dos congressistas republicanos.

“É pouco provável que o próximo chefe do Comitê Judiciário esteja de acordo com a agenda migratória de Trump”, disse RJ Hauman, diretor de relações governamentais do grupo conservador Federação para a Reforma da Imigração Americana. “Portanto, é crucial que a administração trabalhe junto ao Congresso ao longo do ano que vem para implantar as políticas migratórias prioritárias”, acrescentou.

O diretor do Centro de Estudos migratórios (CIS), Mark Krikorian, disse que a agenda migratória de Trump depende de quem substituirá Goodlatte no painel judiciário e se o congressista da Virginia poderá liderar uma proposta ampla de reforma migratória  através do Congresso antes de se aposentar. “Ele tem sido um defensor real do cumprimento mais rígido das leis migratórias e eu não penso que isso mudará ao longo do próximo ano. Não é tanto a saída de Goodlatte que poderá causar problema e sim quem o substituirá”, disse Mark.

Goodlatte pertence ao grupo que tem a missão de encontrar uma solução legislativa para os beneficiados com o Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), o qual proteger da deportação os jovens indocumentados (Dreamers) que imigraram aos EUA ainda na infância. Trump planeja acabar com o programa no início de março de 2018.

A Casa Branca tem pressionado o Congresso para chegar a um acordo na imigração que inclua a solução definitiva para o DACA, aumente a segurança na fronteira e faça ajustes na imigração legal. “A administração Trump lançou uma proposta séria para o cumprimento das leis migratórias e a segurança na fronteira”, disse Goodlatte no início de outubro, depois que as autoridades na Casa Branca divulgou uma lista de exigências para que seja aprovado qualquer pacote de reforma migratória.

“Nós não podemos resolver o problema do CADA sem também solucionar os assuntos que levaram ao problema da imigração ilegal em primeiro lugar”, acrescentou.

A Casa Branca evitou comentar sobre a aposentadoria de Goodlatte. O congressista redigiu vários projetos de lei desde que Trump assumiu o cargo. As propostas visam aumentar a capacidade local das autoridades migratórias e tornam nacional a verificação do status migratório dos trabalhadores, embora os líderes do Partido Republicano (GOP) tenham evitado tais propostas à votação.

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