Morte de adolescente abala brasileiros em Newark

Foto24 Ariane Ferreira Bueno e Dylan Morte de adolescente abala brasileiros em Newark
Ariane Ferreira Bueno (esq.), administradora da página Ajuda Comunitária no Facebook, e o filho Dylan, de 14 anos

Dylan, de 14 anos, era aluno da Ann Street School e foi encontrado inconsciente pelos familiares, no Ironbound

Na tarde de sexta-feira (9), a morte prematura e súbita do adolescente Dylan Bueno, de 14 anos, filho do casal Ariane Ferreira Bueno e Adriano Ribeiro, abalou a comunidade no bairro do Ironbound, em Newark. O jovem era aluno da Ann Street School e foi encontrado inconsciente no quarto em que dormia pela própria mãe. O trágico incidente ocorreu enquanto a mãe preparava a refeição na cozinha. Ariane é muito conhecida na comunidade, pois atua como administradora na página Ajuda Comunitária, no Facebook. Dylan deixou os pais, parentes e o irmão caçula, Henry, além de amigos de infância.

Ainda abalada, Ariane postou em sua página no Facebook um depoimento comovente de alerta sobre os perigos provocados pela depressão. No texto ela declara emocionada que: “A depressão mata. Meu filho sempre foi alegre, brincalhão, o palhaço da turma. Isso ele herdou de mim. Mas havia algo dentro dele que não estava bem. Algo que eu não consegui tirar. Sempre conversei com ele sobre tudo. Nunca escondi nada dele. Mas ele escondeu de mim, essa depressão que eu não sei por onde começou (e) nem o porquê”, relatou.

Ainda no texto, Ariane cita que o filho enfrentou alguns problemas na escola. “Ele teve muitos problemas nessa escola Ann (Street), não por nota, pois ele fazia (as) provas sem estudar e tinha notas altas. Ele era muito inteligente. Mas a escola o queria um robô, não pode conversar, não pode brincar, não pode fazer os outros rirem. Eles queriam me obrigar a dar remédio pra ele, remédio esse que não seria para um tratamento de ADHD e sim para deixá-lo focado, robô, zumbi, remédio que o deixava sem dormir, sem comer, sem sorrir. E eu me neguei. Essa escola fez muita pressão em cima do meu menino, coisa que eu nunca fiz. Eu sempre falei pra ele: filho, você não precisa ser a estrelinha da classe, pra mim me basta você ter notas e passar de ano”, disse Bueno na postagem.

Em seu depoimento, Ariane não culpa a escola, entretanto, não a isenta de ter contribuído para o agravamento do quadro de depressão pelo qual o filho atravessava. “Não estou culpando a escola, mas ela contribuiu pra infelicidade dele. Eu quis mudá-lo daqui, mas ele não queria, pois cresceu com seus amigos e ia graduar com eles. A gota d’água foi terem tirado o prazer de ele receber o anel da graduação. Sabem por quê? Porque ele não (se) comportou! Ele foi discriminado e deixado de lado, vendo seus amigos receberem o anel e ele não. Semana passada, falaram pra mim e pra ele: Que ele poderia não fazer a caminhada da graduação e receber o diploma e o livro. Regras da escola? Sim! Nossas crianças têm que ser perfeitas pra manter o level (nível) lá em cima das crianças perfeitas!
Meu filho era lindo, perfeito, amado, inteligente, querido por todos”, postou.

Demonstrando coragem e sinceridade, Ariane não escondeu a forma com que o filho faleceu. “E todos querem sabem como ele morreu. Pois bem, para que vocês não precisem mais me mandar mensagens perguntando, Dylan tirou a própria vida, em casa, enquanto eu estava fazendo comida na cozinha. Eu o encontrei, eu e meu marido tentamos reanima-lo, desesperadamente, incansavelmente, mas ele já tinha partido. O meu bebê , que eu criei, cuidei de cada arranhão, levei pra escola enrolado no cobertor pra não sentir frio, ia ao recreio da escola olhar por ele, dei castigo quando precisou (mas não durava muito tempo porque ele sempre me convencia com aquela carinha linda)”, relatou ela.

Ariane pediu em sua página no Facebook que o filho não fosse julgado: “Não julguem meu filho, ele era uma criança, e eu sei que meu Pai já o recebeu, eu sei que ele agora está em paz, onde ele poderá sorrir e ele vai cuidar de mim lá do céu. Ele já tem muitos anjinhos em volta dele! Obrigada a cada um de vocês por todo apoio. Deus abençoe a vocês e a seus filhos. Um dia quem sabe eu volto a sorrir, mas agora eu só quero chorar”.

Mesmo com a dor da perda, Bueno alertou aos pais para ficarem atentos aos sintomas da depressão. “Todas, vocês mães e pais, conversem com seus filhos, contem a minha triste história. Digam pra eles: Se vocês sabem de algum amiguinho que esteja triste, contem pra seus pais, e se vocês estiverem tristes, se abram com seus pais”, postou.

“Eu não sei se eu poderia ter evitado essa tragédia na minha vida. Eu tentei ser uma boa mãe pra meu filho. Não sou perfeita, mas eu tentei. E eu vou continuar tentando com (o) Henry, apesar de agora eu não ter forças, mas Deus e todos vocês, um a um, que passaram na minha casa, estão me ajudando. Cada amiguinho do Dylan que me abraçou, eu senti um pouquinho do meu filho neles”, concluiu.

. Campanhas beneficentes:

No sábado (10), foi iniciada no website GoFundMe.com a campanha beneficente: https://www.gofundme.com/funeral-e-enterro-do-dylan, cujo objetivo é angariar US$ 15 mil para as despesas com velório e funeral de Dylan. Na manhã  de segunda-feira (12), haviam sido arrecadados US$ 19.472.

Ainda na segunda-feira (12), às 8:00 pm, será realizado no Casa Nova Grill um jantar beneficente em prol da família do adolescente. O ingresso custa US$ 20. O restaurante fica na 264 Ferry St., no Ironbound, em Newark.

. Velório e sepultamento:

Na terça-feira (13), das 5:00 pm às 8:00 pm, o corpo de Dylan será velado na Lombardi Funeral Home, na 9 Smull Avenue, em Caldwell. Já na quarta-feira (14), o velório será no mesmo local, das 10:00 am às 11:00 am, seguido de sepultamento no Holly Cross Cemetery, na 340 Ridge Road, em North Arlington. O escritório do prefeito de Newark tenta conseguir um ônibus para levar as pessoas.

 

 

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