Mulher de entregador de pizza preso pelo ICE pede divórcio

Foto27 Pablo Villavicencio Calderon Mulher de entregador de pizza preso pelo ICE pede divórcio
Pablo Villavicencio Calderón (dir.), a esposa, Sandra Chica (esq.), e as duas filhas do casal

Pablo Villavicencio Calderón é acusado de ter agredido fisicamente a esposa, Sandra Chica, após ela pedir separação

O entregador de pizzas indocumentado que foi detido por agentes do Departamento de Imigração (ICE) quando fazia uma entrega numa base militar no Brooklyn (NY) teria agredido fisicamente a esposa depois que ela pediu o divórcio. Na sexta-feira (19), Sandra Chica revelou o incidente aos policiais enquanto o marido dela era preso em decorrência da acusação de violência doméstica. A agressão teria ocorrido na residência do casal, em Long Island (NY).

“Recentemente, ele tem ficado cada vez mais aborrecido desde que eu disse-lhe que queria o divórcio”, disse Chica no boletim de ocorrências policiais (BO). “Depois, o Pablo agarrou o meu braço direito e me empurrou contra a parede”.

O incidente tornou-se público depois que Villavicencio, de 35 anos, compareceu à Corte Distrital do Condado de Nassau para responder à acusação de atos criminosos durante uma discussão. Na ocasião, ele teria tirado o aparelho telefônico da esposa para que ela não pudesse contatar a polícia. Após não conseguir pegar o telefone de volta, Sandra teria ido à delegacia de Hempstead em “busca de ajuda”, conforme relatos dela.

Trajando um uniforme esportivo de cor preta e com semblante triste, Pablo compareceu ao tribunal, na terça-feira (23), sem a esposa ao lado dele, antes de ser levado embora pelos advogados de defesa. Ele pagou a fiança e foi liberado, mas não está vivendo na mesma casa que a esposa e as 2 filhas do casal, acrescentou um representante.

Villavicencio, natural do Equador, vem tentando se legalizar nos EUA através da esposa dele, que é cidadã americana, desde que foi liberado do centro de detenção da imigração, no final de julho. O ex-entregador de pizza ficou detido por quase 2 meses depois de ter sido preso quando entregava comida na portaria da base Fort Hamilton Army. Na ocasião, as autoridades descobriram que ele tinha uma ordem de deportação em aberto, desde 2010, quando não saiu voluntariamente dos EUA. O incidente conquistou atenção nacional e, eventualmente, um juiz federal suspendeu a ordem de deportação para que Pablo tentasse conseguir a residência legal permanente (green card).

Ainda na terça-feira (23), um dos advogados de Villavicencio alegou que a impossibilidade de trabalhar do cliente durante esse processo levou às dificuldades na vida conjugal. “Ele literalmente foi salvo a pouco mais de um dia de ser retirado do país para sempre e, quando, saiu, não podia trabalhar”, relatou o advogado Bruce Barket, após a audiência no tribunal. “Você tem um homem adulto tentando sustentar a família dele. A renda da família foi cortada pela metade, pois ele não pode trabalhar, pois o Governo não o permite e ele fica em casa todos os dias, todo o dia, com nada para fazer. Esse tipo de tempestade irá afetar o casamento de um indivíduo”.

Barket insistiu que o cliente dele é inocente da acusação de tirar o telefone das mãos da esposa e da acusação do promotor público que ele “desferiu tapas” no corpo dela. “Se você soubesse realmente o que aconteceu, isso claramente não ocorreu dessa forma”, disse ele, entretanto, não citou mais detalhes.

Os promotores públicos estão avançando o caso criminal contra Villavicencio em 2 semanas e ele terá que retornar ao tribunal em 5 de novembro.

 

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