“Não me arrependo”, diz prefeita que alertou indocumentados de batidas

Foto3 Libby Schaaf “Não me arrependo”, diz prefeita que alertou indocumentados de batidas
“Eu não tenho arrependimentos, nenhum. Quanto mais o tempo passa, mais tenho a certeza que eu fiz a coisa certa”, disse Libby Schaaf

Libby Schaaf informou os moradores de Oakland (CA) que agentes do ICE realizariam batidas migratórias na cidade

A prefeita de Oakland (CA), Libby Schaaf, que alertou os moradores da cidade localizada no norte do estado sobre uma batida realizada pelo Departamento de Imigração (ICE), disse “não ter remorsos” da decisão e que o órgão “perdeu o controle”.

“Eu não tenho arrependimentos, nenhum. Quanto mais o tempo passa, mais tenho a certeza que eu fiz a coisa certa em defender a nossa comunidade e destacar que os nossos valores não estão alinhados com as nossas leis”, disse Schaaf ao portal BuzzFeed. “Esta é a mensagem que espero ter sido enviada”.

“Esse órgão (ICE) perdeu o controle e prejudicou tanto a confiança, particularmente em cidades como a minha. Eu acredito que todos nós estaríamos muito melhor se começarmos do zero”, acrescentou , criticando as autoridades migratórias e dizendo que o ICE deveria ser abolido.

Em fevereiro desse ano, Libby postou no Twitter um alerta informando que o ICE estava “preparando-se para realizar uma batida em Bay Area, incluindo Oakland”. Segundo o ICE, após o alerta da Prefeita, 150 pessoas foram presas por violarem as leis migratórias dos EUA em San Francisco Bay Area, mas quase 900 imigrantes indocumentados permaneceram “foragidos na comunidade”, pois não puderam ser detidos.

“O que ela fez não é melhor do que um olheiro de gangue gritando ‘polícia!’ quando um agente entra na vizinhança, exceto que ela fez isso para uma comunidade inteira”, comentou o Thomas Homan, diretor interino do ICE. “Há mais de 800 criminosos que ameaçam de forma significativa a segurança pública que não pudemos localizar por causa daquele alerta. Em virtude disso, essa comunidade está menos segura do que deveria estar”.

Na ocasião, Schaaf justificou a decisão alegando que sentia ser a responsabilidade moral dela alertar as pessoas sobre a ameaça de ser detidas ou deportadas. Ela acrescentou que a decisão dela também foi influenciada pela assistente especial dela, Karely Ordaz, beneficiária do programa DACA, que, após a eleição em 2016, disse-lhe que as comunidades viviam em medo. O programa Deferred Action on Childhood Arrivals (DACA), assinado pelo Presidente Barack Obama, protege da deportação e emite a permissão de trabalho aos imigrantes indocumentados que chegaram aos EUA ainda na infância.

“Eu pensei, essa informação não causará pânico nas pessoas. As pessoas já vivem num estado de pânico. Nós temos vizinhos, colegas de trabalho, pessoas que sentam ao nosso lado nas igrejas e que vivem nesse estado constante de medo e ainda são invisíveis para nós, pois é um status que não é visível”, disse Schaaf.

“Como eu poderia viver comigo mesma se o fato de eu compartilhar essa informação poderia ter mantido uma família unida?” Concluiu.

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