NY: Aprovado projeto de ajuda financeira aos universitários indocumentados

Foto8 Capitolio New York NY: Aprovado projeto de ajuda financeira aos universitários indocumentados
A votação do State Dream Act ocorreu no Capitólio em Albany (NY) (detalhe)

O projeto de lei foi aprovado por 40 votos a favor e 20 contra entre os partidos. Já na Assembleia a votação foi de 90 votos a favor e 37 contra

Estudantes universitários no estado de Nova York cujos pais são imigrantes indocumentados em breve serão elegíveis para receber auxílio financeiro do estado. Depois de anos de esforços para a aprovação do State Dream Act, bloqueado pelos republicanos que controlavam o Senado até janeiro, a nova Câmara de liderança democrata aprovou a legislação na quarta-feira (23). A Assembleia Estadual aprovou algumas horas depois.

O Governador Andrew Cuomo adiantou que assinará o projeto de lei, que leva o nome do senador José Peralta, um democrata do Queens que apoiou o Dream Act. O projeto de lei foi aprovado em um momento em que o governo Trump vem combatendo os imigrantes indocumentados. Ele paralisou o governo federal a menos que receba US$ 5 bilhões para começar a construir um muro ao longo da fronteira sul dos EUA.

“Enquanto a administração em Washington (DC) está empenhada em construir muros, a Assembleia do Estado de Nova York está empenhada em derrubá-los”, disse o presidente Carl Heastie, pouco antes de a Câmara aprovar o Dream Act. Ele frisou que aquela era a “nona e última vez”.

O projeto de lei foi aprovado por 40 votos a favor e 20 contra entre os partidos. Já na Assembleia a votação foi de 90 votos a favor e 37 contra.

Na quarta-feira (23), dezenas de “Dreamers”, jovens indocumentados que foram trazidos aos EUA ainda na infância, compareceram ao Capitólio para assistir à votação. Ambas as câmaras comemoraram a aprovação. Os legisladores destacaram que a nova lei facilitará para as crianças, que muitas vezes cresceram e estudaram toda a vida em Nova York, obter educação universitária.

“É um dia tremendo”, celebrou Olivert Saldvia, um “Dreamer” de 23 anos e ativista da ONG Make The Road New York, cujos pais o trouxeram do México para Nova York aos 11 anos.

Saldvia, um estudante de Engenharia Mecânica da Faculdade de Tecnologia de Nova York, relatou que trabalhou em empregos de meio período como porteiro para ajudar a pagar as mensalidades. Agora, ele pode ser elegível para receber auxílio financeiro do Estado, o que seria um grande impulso.

A deputada Carmen De La Rosa, democrata de Manhattan (NY) e redatora do projeto, disse que a aprovação serve “como um símbolo que (os Dreamers) terão educação garantida e que a porta para o ensino superior está aberta às todas as crianças no estado de Nova York”.

O senador Luís Sepúlveda, do Bronx (NY), democrata e patrocinador do projeto, argumentou que os Dreamers atualmente retornam US$ 115 milhões para as economias locais e estaduais, enquanto o Dream Act deve custar ao estado US$ 27 milhões.

A esposa de Peralta, Evelyn, 2 filhos e a mãe dele também estiveram em Albany (NY) para assistir à votação e se encontraram com Cuomo. “Hoje, o sonho do meu marido se torna a nossa realidade”, disse Evelyn Peralta. “A cada imigrante que ouve minhas palavras, nós amamos você, vemos você e damos as boas-vindas a você em nossa família americana”.

Atualmente, com os democratas controlando ambas as câmeras da Assembleia Legislativa, muitos democratas disseram que o tão aguardado Dream Act é apenas o primeiro de uma série de reformas pró-imigração que eles esperam adotar. A próxima proposta na lista poderia permitir que os imigrantes indocumentados obtenham carteiras de motorista. Já outros legisladores planejam a concessão do direito de votar. O Senador Robert Ortt (R-Niagara Falls) considerou tais propostas “repugnantes”.

 

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