PF prende “coiote” suspeito de trazer crianças brasileiras aos EUA

Foto5 Policia Federal de Ji Parana PF prende “coiote” suspeito de trazer crianças brasileiras aos EUA
A ação efetuada pela PF (detalhe) ocorreu na cidade de Ji-Paraná (RO), na Região Central do estado

As autoridades federais de segurança também tentam prender um segundo indivíduo suspeito

Na quarta-feira (18), a Polícia Federal de Rondônia prendeu um indivíduo suspeito de trazer crianças e adolescentes brasileiros de forma clandestina até os EUA. Segundo a PF, cerca de 30 crianças foram enviadas por ano, desde 2016, aos Estados Unidos. A ação ocorreu na cidade de Ji-Paraná (RO), na Região Central do estado, através da 3ª fase da Operação Piratas do Caribe. As autoridades de segurança também tentam prender um segundo suspeito que trabalha como “coiote” (traficante de pessoas) nas Bahamas para ajudar a levar as crianças ilegalmente.

A prisão do suspeito aconteceu depois que o Ministério das Relações Exteriores informou que investigaria a ação de grupos de traficantes de pessoas (coiotes) que atraem “clientes” no Brasil para transportá-los clandestinamente aos EUA. Os brasileiros são levados até o México, onde outros indivíduos cruzam com eles a fronteira dos EUA. A decisão foi tomada depois que o Ministro Aloysio Nunes visitou nos Estados Unidos abrigos que mantém crianças separadas dos pais que entraram clandestinamente no país. O Itamaraty acredita que existam redes de coiotes que atual no Brasil, portanto, pediu aos órgãos de segurança e inteligência, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal (PF), que investiguem o assunto.

Em 2015, agentes da PF desbaratou uma quadrilha cujos membros atuavam como “despachantes” para a obtenção de documentos falsos que facilitariam a entrada nos EUA.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o Ministro criticou a irresponsabilidade dos pais brasileiros em tentarem entrar clandestinamente nos EUA com seus filhos. “Há uma enorme e cavalar irresponsabilidade desses pais. É evidente que o pai que empreende uma aventura dessas sabe que haverá um risco, que será arcado principalmente pela criança, a mais vulnerável”, disse Aloysio.

O Ministério das Relações Exteriores calcula que hajam 40 crianças brasileiras mantidas em abrigos nos EUA. Elas foram separadas dos pais quando foram detidos na fronteira sob a política de “tolerância zero” da administração Trump. A prática gerou ultraje em vários segmentos sociais e políticos nos EUA e uma ação judicial determinou que o governo atual voltasse atrás e devolvesse às crianças às suas famílias o mais rápido possível. O governo do Brasil teme que o “afrouxamento” da tolerância zero por parte das autoridades americanas incentive os coiotes a continuarem a traficar pessoas.

 

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