Política de desnaturalização afeta cada vez mais a vida de cidadãos 

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Durante a administração Trump, aumentou sensivelmente os casos de desnaturalização

Durante as administrações Bush e Obama, um número considerável de estrangeiros perdeu a cidadania dos EUA

Na manhã de 2 de junho de 2017, Odette Dureland acordou com batidas fortes na porta do bangalô onde ela mora com o marido e os filhos, na Flórida. Na ocasião, ela se recuperava de uma pequena cirurgia, então, a filha dela de 26 anos, Rebecca, levantou-se para atender a porta. Do lado de fora, um grupo de agentes do Departamento de Imigração (ICE) esperava. A jovem ficou confusa: Todos na família dela eram cidadãos. Ela disse aos agentes que deveria haver um engano. Eles responderam à Rebecca que não havia, pois tinha uma ordem de prisão em nome da mãe dela. Um dos agentes ordenou que Odette se vestisse e a acompanhou para fora do imóvel até uma viatura federal.

Na ocasião, Odette, Gilbert e Rebecca já eram cidadãos dos EUA há 5 anos. Eles vivem no país há mais de 20 anos, desde que a violência política os obrigou a fugir do Haiti em meados da década de 90. Gilbert tinha participado dos protestos depois da primeira derrubada do presidente haitiano Jean Bertrand Aristide; o que o tornou alvo do novo partido governante. Ele foi espancado e preso, o globo ocular direito destruído. Odette se recorda da volta do marido para casa, o rosto abatido. Gilbert fugiu para os EUA. Odette e Rebecca eventualmente o seguiram, a bordo de uma balsa improvisada e desembarcando numa praia da Flórida.

Após muitos anos nos EUA, Gilbert conseguiu asilo político e preencheu petições para Odette e Rebecca. Em 2002, o casal aplicou para a residência legal permanente (green cards). Eles começaram a trabalhar como limpadores de banheiros e tiveram mais 3 filhos, eventualmente mudando-se para um bangalô em East Lake (FL); onde ainda moram. O filho mais jovem cursa o Nível Médio (High school), outro estuda educação elementar numa faculdade próxima e o outro está em treinamento na Força Aérea. Rebecca, que já tem um filho, trabalha num centro de chamadas na vizinhança.

“Nós podemos dizer que nos orgulhamos disso”, disse Gilbert.

Em 2012, Odette, Gilbert e Rebecca finalmente aplicaram para a cidadania e naquele mesmo ano fizeram o juramento à bandeira dos EUA. Odette foi acusada na Corte Distrital da Flórida. A advogada dela, Irina Hughes, apresentou evidências ao juiz que o preparador que Dureland contratou para preencher a papelada foi condenado vários anos depois por fraudar os clientes, usando os nomes e identidades das vítimas para receber restituições falsas do imposto de renda. Irina sugeriu que a aplicação de asilo de uma segunda pessoa possa estar relacionada a um dos esquemas montados pelo indivíduo.

Durante as administrações Bush e Obama, um determinado número de estrangeiros perdeu a cidadania dos EUA depois de se envolverem num esquema de fraude migratória. Eles pagaram propinas aos agentes do Departamento de Segurança Nacional (DHS) para que as aplicações migratórias fossem processadas. Alguns deles foram desnaturalizados por serem criminosos de guerra.

Antes de se tornar cidadã dos EUA, Odette sempre soube que caso algo acontecesse, se ela fosse condenada por algum crime, poderia ser deportada. Ela vivia uma vida cuidadosa e, quando fez o juramento em 2012, esse sentimento, finalmente desapareceu.

“Eu me tornei uma americana”, disse Dureland. “Eu sou uma americana”. Entretanto, mesmo dizendo, ela sabia que não era mais verdade.

 

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