Prefeitura pagará US$ 190 mil a fuzileiro veterano denunciado ao ICE

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O passaporte de Jilmar Ramos Gomes, de 28 anos, indicando claramente que ele nasceu em Michigan (ACLU)

Jilmar Ramos Gomez nasceu em Michigan, foi preso pela polícia local e entregue indevidamente às autoridades migratórias

A Comissão Municipal de Grand Rapids aprovou o acordo, na terça-feira (12), a favor do veterano Jilmar Ramos-Gomez, de 28 anos, nascido e criado em Michigan. Ele será indenizado em US$ 190 mil. Em 21 de novembro de 2018, a polícia local prendeu Gomez depois que ele supostamente invadiu e provocou um pequeno incêndio em um hospital. A ONG American Civil Liberties Union (ACLU) detalhou que, na época, ele assumiu a culpa e deveria ser libertado da Penitenciária do Condado de Kent no dia 14 de dezembro enquanto aguardava a sentença. No entanto, quando a mãe de Gomez foi à prisão pegar o filho, foi informada que ele havia sido transferido para a custódia do ICE.

Gomez, que sofre de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD), ficou detido por 3 dias numa prisão a 120 quilômetros de distância em Battle Creek, antes que um advogado que trabalhava para a família fornecesse prova de cidadania. Ele foi libertado em 17 de dezembro. Na ocasião da prisão, Jilmar portava o passaporte dos EUA, detalhou a advogada da ACLU, Miriam Aukerman, portanto, a ONG pediu uma investigação sobre o episódio.

“Esperamos que a comunidade possa aprender com este caso”, disse ela na quarta-feira (13). “O que aconteceu com o Jilmar foi realmente trágico e esperamos que seja o exemplo daquilo precisamos nesta cidade para que a Prefeitura e a polícia avancem e reformem o sistema que mudará o policiamento… para que ninguém mais sofra do jeito que Jilmar sofreu”.

A prefeita de Grand Rapids, Rosalynn Bliss, disse que a Comissão votou por unanimidade em apoio ao acordo e se recusou a comentar o assunto. Imagens da prisão de Gomez obtidas pelo jornal The Detroit News, através da Lei de Liberdade de Informação, mostram que os policiais de Grand Rapids estavam cientes do status de cidadania e serviço militar de do veterano antes de colocá-lo sob custódia. A polícia de Grand Rapids encontrou o passaporte de Gomez e foi informada de seu status na Marinha. Mesmo assim, os policiais de plantão o denunciaram ao ICE, detalhou Sarah Rahal, do The Detroit News.

Uma investigação interna revelou que o capitão da polícia de Grand Rapids, Curtis VanderKooi, denunciou Gomez aos agentes do ICE, referindo-se a ele como “louco”. Posteriormente, ele foi brevemente afastado do departamento.

“Este é um indivíduo que foi para o Afeganistão, lutou no campo de batalha e voltou traumatizado para casa. Acabamos de ter o Dia dos Veteranos, vivemos na terra dos livres por causa dos bravos”, disse Aukerman. “Como resultado, ele acabou no heliporto, não algo legal, mas foi uma consequência direta de seu (PTSD) e por causa da cor de sua pele, acabou sob a custódia de imigração. Isso é absolutamente errado. Alguém não deve sofrer ainda mais por causa da cor de sua pele”, concluiu Aukerman.

 

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