Proposta poderá prejudicar pescadores profissionais e amadores no país

Foto13 Glaubert Stransky  Proposta poderá prejudicar pescadores profissionais e amadores no país
O mineiro Glaubert Stransky (2º da esquerda) pratica a pesca recreativa em New Jersey (foto: Facebook)

O projeto de lei HR-200 anula o Magnus-Stevens Act e será votado pelo Congresso na quarta-feira (11), em Washington-DC

Há 30 anos, as autoridades federais e estaduais aprovaram uma série de proteções baseadas em dados científicos que visam restaurar a qualidade da água e preservar a saúde  dos cardumes de peixes no litoral de New Jersey. Atualmente, há um consenso forte e bipartidário de que a proteção da costa no estado é fundamental, ou seja, evitar desde a extração de petróleo em águas profundas ao excesso de pesca e poluição do oceano.

Nesta semana, o Congresso em Washington-DC planeja votar num projeto de lei batizado “Ato de Fortalecimento das Comunidades Pesqueiras e Administração da Pesca” (HR-200). A proposta poderá prejudicar as comunidades costeiras, ou seja, cancelando a lei atual, pois essencialmente anula as emendas que fornecem aos administradores regionais de pesca as ferramentas que eles necessitam para administrar com sucesso as áreas de pesca. A votação está agendada para ocorrer na quarta-feira (11).

Atualmente, o Magnuson-Stevens Act exige que sejam usados dados científicos para estabelecer os limites de pesca, entretanto a HR-200 poderá mudar isso. De fato, a proposta transfere a responsabilidade de tomar decisões tendo como base o conhecimento científico para o que seja mais conveniente à indústria da pesca. Nas décadas de 80 e 90, o setor entrou em colapso e isso fez com que fossem aprovadas restrições de base científica para resolver a crise ao longo dos anos.

Em 2 de janeiro de 2017, o Deputado Federal Don Young (R-AK) apresentou um projeto de lei que atualizava e autorizava novamente o Magnuson-Stevens Act; o “Ato de Fortalecimento das Comunidades de Pesca e o Aumento da Flexibilidade na Administração da Pesca de 2017”. A proposta foi virtualmente a mesma que a nova autorização do Ato Magnuson-Stevens de Young.

Dois congressistas de New Jersey, Leonard Lance (R-7th Dist.) e Frank Pallone (D-6th Dist.), como membros do Comitê da Câmara de Comércio, sabem da importância do turismo no litoral de New Jersey e a indústria da pesca para a economia local. Eles estão muito bem posicionados para fazer a diferença em parar o cancelamento das regulamentações atuais. Além disso, Lance é membro do grupo bipartidário “Climate Solutions Caucus”. Ele é corredator de uma resolução que busca soluções inovadoras para proteger a nação e New Jersey dos desafios crescentes provocados pelas mudanças climáticas, incluindo a frequência e crescente intensidade das tempestades.

As comunidades litorâneas dependem de oceanos saudáveis e populações de peixes abundantes. Desde 2001, o número de pesca em excesso nas águas dos EUA caiu de 81 para 35 nos dias de hoje. Espécies prejudicadas no Golfo do México e Maine retornaram a níveis saudáveis. Atualmente, essas duas regiões pesqueiras recuperadas permitem a indústria da pesca comercial e recreativa  ao longo do litoral.

Vários brasileiros residentes em New Jersey tem a pesca como hobby, especialmente nos meses de verão. Na tarde de segunda-feira (9), a equipe de reportagem do BV conversou com o mineiro Glaubert Stransky, que comentou sobre a importância da proteção ambiental.

“Desde que eu comecei a pescar, há uns 5 ou 6 anos, já peguei essa regulamentação. Eu assisti a um documentário no Golfo do México sobre a volta do ‘red snapper’. O americano já está acostumado com isso, portanto, quase sempre respeita o limite estabelecido. Entretanto, quando a gente vê alguém pegando peixes menores ou em quantidade excessiva, pode ver que é brasileiro ou latino”, disse Stransky, que pratica a pesca esportiva.

Com relação a HR-200, ele comentou que “foi até bom você ter tocado no assunto, pois ainda não a li. Entretanto, se eu fosse dono de um frigorífico e tivesse que abastecer peixarias, a situação nunca estaria ruim porque os interesses econômicos obviamente influenciariam”.

 

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