Quando uma audiência na Corte é “armadilha” para os imigrantes

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Os tribunais não estavam na lista de “locais sensíveis”, mas as prisões nesses locais eram muito raras (Foto: ICE)

Tornaram-se cada vez mais frequentes as prisões de indocumentados que comparecem às audiências

Em 29 de março, em Pontiac, Michigan, Sérgio Perez compareceu à uma audiência no tribunal na tentativa de conseguir a custódia integral do filho e duas filhas, com idades entre 11 e 17 anos. As crianças vivem com a ex-esposa de Sérgio, Rose, e ele se preocupa com o bem-estar dos filhos. A mulher retirou uma ordem de afastamento (protective order) que vigorava há 1 ano contra o namorado dela em 2015 e, pelo o que Sérgio sabe, eles agora vivem juntos. Perez paga o aluguel onde a ex-mulher e os filhos vivem, entretanto, deve pensão alimentícia, embora alegue que envia dinheiro direto às crianças, por exemplo, para a compra de roupas.

Na sala de audiências, em 29 de março, ele ouviu seu nome e entrou numa sala ao lado. Lá, três homens à paisana, um identificou-se como Anthony, disse-lhe: “Eu estava procurando você. Nós somos do ICE”. Apesar dos esforços do advogado de defesa e ativistas defensores dos direitos dos imigrantes, Sérgio foi deportado para a Cidade do México.

Atualmente, Sérgio vive em Guadalajara, onde trabalha como garçom e tradutor. Ele continua preocupado com o bem-estar dos filhos, enquanto tenta regressar legalmente aos EUA. “Eu quero retornar e mudar a vida das minhas filhas”, disse ele.

A ONG The Immigrant Defense Project, com sede em New York City, informou que já recebeu 84 denúncias de prisões e tentativas de detenções em tribunais do estado até setembro. O índice equivale a mais de 600% das denúncias que a ONG recebeu em 2016. Em algumas ocasiões, as prisões também ocorreram em Varas de Família, Tribunal de Menores e tribunais dedicados ao combate e prevenção do tráfico humano.

Segundo uma investigação realizada pelo Immigrant Defense, em abril, na Vara de Família do Condado de Suffolk, os agentes do ICE prenderam um imigrante paquistanês que compareceu à uma audiência sobre “visitação”. O pai tinha a custódia primária dos 2 filhos que haviam nascido nos EUA. Ele mesmo havia imigrado aos EUA quando tinha 5 anos de idade, depois que a família dele fugiu da perseguição no Paquistão. Em junho, os agentes seguiram uma mulher que compareceu a Corte de Intervenção ao Tráfico Humano. Ela foi detida quando caminhava rumo à estação do metrô. Em 27 de setembro, agentes do UCE prenderam uma suposta vítima de violência doméstica quando ele deixava a Corte Criminal do Condado de Queens.

Durante a administração Obama, através de ordens executivas, os agentes eram instruídos a não realizarem detenções em “locais sensíveis”, como igrejas, escolas e hospitais, exceto em circunstâncias extraordinárias. A administração Trump tem mantido essa política até o momento. Os tribunais não estavam na lista de “locais sensíveis”, mas as prisões nesses locais eram muito raras, entretanto, isso mudou sob o comando de Trump, Sessions e Kelly.

 

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