Sem provas, Bolsonaro acusa DiCaprio de “financiar incêndios na Amazônia”

Foto15 Leonardo DiCaprio Sem provas, Bolsonaro acusa DiCaprio de “financiar incêndios na Amazônia”“DiCaprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para incendiar a Amazônia”, disse o Presidente a apoiadores em Brasília (DF)

Sem apresentar provas, o Presidente Jair Bolsonaro disse na sexta-feira (29) que o ator Leonardo DiCaprio havia financiado grupos sem fins lucrativos (ONGs) que, segundo ele, eram parcialmente responsáveis por incêndios na Amazônia este ano. As observações de Bolsonaro sobre o ator americano fazem parte de uma campanha governamental mais ampla contra grupos ambientais sem fins lucrativos que operam no Brasil.

“DiCaprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para incendiar a Amazônia”, disse o Presidente a apoiadores em Brasília (DF).

A organização ambiental de DiCaprio, Earth Alliance, prometeu US$ 5 milhões para ajudar a proteger a Amazônia depois que um aumento nos incêndios destruiu grande parte da floresta tropical em julho e agosto. Entretanto, o ator e ambientalista comprometido disse em comunicado que seu grupo não havia financiado nenhuma das duas organizações sem fins lucrativos nomeadas por investigadores até agora.

“Embora dignos de apoio, não financiamos as organizações visadas”, dizia o comunicado. “O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de apoiar os grupos que os protegem”.

Alguns membros do governo Bolsonaro argumentam que ONGs e leis ambientais dificultam o desenvolvimento econômico da região. Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, estão promovendo o desenvolvimento em algumas áreas naturais protegidas, mesmo quando os incêndios intencionais e o desmatamento na Amazônia atingiram níveis nunca vistos em uma década.

As críticas de DiCaprio e ativistas ambientais ocorreram depois de uma batida policial realizada na sede de duas ONGs no estado do Pará, na Amazônia, no início desta semana. A polícia local também prendeu 4 bombeiros voluntários e alegou que os estava investigando por supostamente terem iniciado os incêndios para obter financiamento de doadores simpatizantes da causa. Um porta-voz da polícia disse em entrevista coletiva que os bombeiros estavam envolvidos em incêndios em uma área local, gravando os incêndios e vendendo as imagens para o WWF, que ele alegou ter recebido doações de DiCaprio.

O WWF-Brasil emitiu um comunicado declarando que havia feito doações para as ONGs em questão, mas que não havia adquirido imagens e não recebeu doações de DiCaprio. Os bombeiros voluntários negaram qualquer irregularidade e um juiz ordenou a libertação.

A repressão coincide com um aumento de postagens de notícias falsas nas redes sociais no Brasil, alegando várias teorias de conspiração, desde ONGs por trás dos incêndios a meios de comunicação sendo cúmplices.

Os promotores federais dizem que as investigações apontam os grileiros como principais suspeitos de incêndios na área e não ONGs ou bombeiros. Criadores de gado, agricultores e madeireiros ilegais há muito tempo usam o fogo para limpar a terra na Amazônia.

Esta não é a primeira vez que o Presidente do Brasil sugere, sem evidências, que ONGs estão incendiando a Amazônia ou questionando alertas sobre mudanças climáticas. Em agosto, em meio a protestos internacionais contra os incêndios na Amazônia, Bolsonaro culpou a “guerra de informação que está acontecendo no mundo contra o Brasil” e demitiu o chefe do Instituto Governamental de Pesquisa Espacial que monitora o desmatamento.

Na ocasião, Bolsonaro acusou o presidente do instituto, Ricardo Galvão, de manipular dados de desmatamento para fazer seu governo parecer ruim e o demitiu. Entretanto, quando um relatório anual de desmatamento divulgado em novembro, três meses após o incidente, confirmou um aumento de dois dígitos no desmatamento, o governo reconheceu que o desmatamento havia aumentado no país ano a ano.

 

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