Traficante de armas brasileiro “comprou” green card nos EUA

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O Juiz Patrick A. White, do Tribunal Federal em Miami (FL), determinou a fiança de Frederik Barbieri em US$ 1.5 milhão

Frederik Barbieri imigrou em 2000 e em 2006 casou-se com uma imigrante cubana naturalizada americana

Considerado maior traficante de armas dos EUA para o Brasil, Frederik Barbieri, natural do Rio de Janeiro, imigrou em 2000 e iniciou a nova vida limpando piscinas na Flórida, antes de casar-se em 2006 com uma cubana naturalizada americana. “Custou cerca de US$ 20 mil esse casamento”, relatou o delegado Maurício Mendonça, da Delegacia de Roubos & Furtos de Cargas (DRFC), que em 2017 descobriu e desbaratou a quadrilha formada pelo réu.

Depois de naturalizar-se americano, Frederik, em 22 de setembro de 2008, assinou em  um cartório a certidão de divórcio.

Ainda em 2006, já portador do green card, Barbieri fundou no Rio de Janeiro a empresa ZPA Importações & Exportações. Em 2007, criou sua primeira companhia nos EUA, a FKBar Limited Liability Company, com sede na Flórida.

O Ministério Público Federal (MPF) calcula que Frederik tenha enviado mais de 1.2 mil fuzis e no mínimo 300 mil munições aos traficantes de drogas nas favelas da região metropolitana do Rio de Janeiro. Entre 2014 e 2017, ele realizou 75 remessas com destino à capital fluminense.

Na quinta-feira (1), Barbieri, de 46 anos, compareceu perante o Juiz Patrick A. White, do Tribunal Federal em Miami (FL), que determinou a fiança do réu em US$ 1.5 milhão. Para responder o caso em liberdade, o brasileiro deverá pagar US$ 225 mil e dar garantia do valor restante. Além disso, caso seja liberado, ele terá que usar uma tornozeleira eletrônica e não poderá sair do estado da Flórida.

Frederik é acusado de traficar armas de fogo. Na quarta-feira (28), documentos apresentados no tribunal revelaram mais detalhes sobre o contrabando e as conexões locais do réu. Foram mostradas fotografias de 52 rifles de assalto empacotados para envio, os números de série raspados e confiscados na sexta-feira (23) num depósito em Vero Beach (FL). Os documentos indicavam que Barbieri alugou o local onde as armas estavam guardadas. Os agentes prenderam o brasileiro no final de semana seguinte na residência dele em Ft. Pierce (FL), sob a acusação de traficar armas de fogo para o Brasil sem licença.

“Elas (armas) seriam utilizadas no tráfico de drogas ou por pessoas envolvidas em atividades ilegais e até saindo do Brasil para a Síria ou Iran”, disse Stuart Kaplan, ex-agente do FBI e atual advogado com escritório em Palm Beach Gardens.

Ele acrescentou que para atividades assim nos EUA é necessária a licença de exportação de armas. “No interesse na nossa própria segurança nacional, nós não queremos prestar assistência aos nossos inimigos”, disse Kaplan, ou facilitar o caos contra os nossos aliados.

O caso de Barbieri começou quando foram descobertos e confiscados dezenas de rifles AR=-15 e AK-7 escondidos no interior de aquecedores de água de piscinas. Os documentos apresentados na Corte revelaram que os agentes rastrearam o carregamento descoberto no Rio de Janeiro ao remetente na cidade de Medley, nas proximidades de Miami (FL). As autoridades federais informaram que a companhia de Frederik é responsável pelo carregamento clandestino descoberto no Aeroporto Internacional Tom Jobim.

Os documentos revelaram que no período de 4 anos, Barbieri remeteu 520 motores elétricos, 124 aquecedores de água Rheem, 15 unidades de ar-condicionado e 1.291 lâmpadas LED. Os agentes federais também informaram que, baseado em extratos bancários, eles puderam verificar que o réu comprou pelo menos 2 aquecedores de água da marca Rheem numa filial do Home Depot em Port St. Lucie (FL).

Caso seja considerado culpado, Frederik poderá ser condenado a até 40 anos de prisão.

 

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