Trump planeja limitar cidadania para milhões de imigrantes legais

Foto24 Cerimonia de naturalizacao Trump planeja limitar cidadania para milhões de imigrantes legais
O plano não precisaria da aprovação do Congresso, uma vez que a administração tende a implantá-lo redefinindo a noção de “carga pública” (Public charge)

O projeto dificultaria o acesso à cidadania dos EUA para todos os portadores de green card que já se beneficiaram de qualquer benefício público

Na terça-feira (7), advogados de imigração e ativistas demonstraram ultraje depois de tomarem conhecimento que a administração Trump planeja tornar quase impossível para os imigrantes legais se tornarem cidadãos dos EUA, caso tenham aplicado para programas de assistência social, como o “Affordable Care Act”. O plano é parte da estratégia do conselheiro sênior da Casa Branca, Stephen Miller, o qual visa reduzir o índice de legalização de imigrantes, disseram indivíduos familiarizados com o tema ao canal de TV NBC News.

O projeto ainda está em estágio de planejamento, mas fontes indicaram que sua implantação tornaria muito mais difícil para os imigrantes se tornarem cidadãos se eles ou membros da família tiverem utilizado alguma vez o Obamacare, o Programa de Seguro de Saúde Infantil, cupons de alimentos ou qualquer outro benefício público.

A porta-voz da Casa Branca recusou-se a comentar o assunto.

Ativistas condenaram o plano frisando que tratasse de uma estratégia política e racista.

“Esta será mais uma estratégia perigosa, desesperada e cínica que visa expulsar os imigrantes da América e manter os republicanos no poder”, disse Frank Sherry, diretor executivo do grupo America’s Voice. “Eles fazem isso tão cinicamente para dividir os americanos na esperança de mobilizar eleitores brancos desapontados e culpar os salários baixos, o aumento do custo com seguros de saúde, o corte de verbas às escolas e as ameaças ao Seguro Social e Medicare os outros”.

O plano não precisaria da aprovação do Congresso, uma vez que a administração tende a implantá-lo redefinindo a noção de “carga pública” (Public charge), ou seja, um estatuto obscuro das leis de imigração que permite aos EUA impedir a legalização de imigrantes considerados um “peso” para a sociedade. Tal estatuto foi implantado nos anos 1800. Ele representaria a reforma mais drástica no sistema migratório das últimas décadas, com os especialistas calculando que até 20 milhões de imigrantes legais sendo afetados. Eles acrescentaram que a mudança afetaria os trabalhadores imigrantes que não recebem o suficiente para prover para os entes queridos.

“Nós já vimos abusos como esse em nossa história; seja negando a entrada no país aos judeus que fugiam do holocausto ou discriminando os irlandeses católicos”, disse o National Law Center através de um comunicado. “Essa história não pode ser repetida. Nós não podemos repetir isso”.

Um advogado de imigração com escritório em Nova York ecoou o sentimento. “Nós estamos no tornando a Alemanha”, disse ele.

A administração Trump já deixou claro que deseja combater a imigração legal e clandestina. O Presidente Trump geralmente critica as leis migratórias dos EUA como “fracas”; mesmo que dados públicos revelem que a administração dele tende a emitir 20% menos green cards (residência legal permanente) durante o ano fiscal de 2018 que a administração Obama emitiu no mesmo período em 2016.

Enquanto isso, advogados e ativistas reclamam dos atrasos nos serviços prestados pelo Departamento de Cidadania & Serviços Migratórios (USCIS), o órgão encarregado de emitir vistos e green cards. Ainda na terça-feira (7), o porta-voz do USCIS manteve que o órgão não mudou a forma com que processa as aplicações migratórias.

“O USCIS avalia todas as aplicações de forma justa, eficiente e efetiva em caso a caso”, disse o porta-voz através de um comunicado. “Ao contrário dos defensores das fronteiras abertas, os advogados de imigração e ativistas, o USCIS não mudou a forma com que as aplicações para a naturalização são processadas”.

 

 

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