Trump suspende aceleração do visto H-1B e EUA perde bilhões

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A suspensão do processo acelerado não afetará o número de vistos H-1B emitidos, mesmo para as companhias particulares

O processamento regular do visto custa entre US$ 1.600 e US$ 5 mil, enquanto o processo acelerado US$ 1.225 a mais

Em meio à polêmica provocada pela administração Trump no combate aos imigrantes indocumentados está uma mudança no sistema de imigração legal que tende a ser custoso para as empresas americanas e o próprio governo. Todos os anos nessa temporada, o Departamento de Cidadania & Serviços Migratórios (USCIS) recebe uma onda de aplicações para os vistos H-1B enviadas por profissionais altamente qualificados. As empresas particulares geralmente têm o período de 5 dias em abril para enviar as aplicações para os vistos novos, assim como os portadores que renovam os já emitidos.

O novo obstáculo é que na segunda-feira (3) o USCIS suspendeu o “premium processing”, um programa que permitia os empregadores a pagar uma taxa extra para reduzir o tempo de espera dos vistos de 8 meses para somente 2 semanas. As autoridades alegam que a suspensão temporária é resultado de uma “disparada significativa” na demanda pelo serviço expresso, mas, na realidade, a situação parece refletir a falta de organização e desperdício do próprio órgão.

Segundo os arquivos do USCIS, testemunhos no Congresso e entrevistas com funcionários antigos, a arrecadação do programa de processamento acelerado tem caído nos últimos 8 anos, como em US$ 2.3 bilhões, num esforço fracassado de digitalizar a maior parte do sistema migratório, deixando recursos insuficientes para contratar funcionários para lidarem com o H-1B, que era a mina de ouro.

“Eu não posso acreditar que a minha antiga agência possa ser tão burra e descuidada”, declarou William Yates, antigo diretor do USCIS que ajudou a criar o programa de processamento rápido. “Isso me deixa furioso”.

Ocasionalmente, o USCIS já suspendeu o programa antes, mas a temporada dessa suspensão, que deve durar 6 meses, é especialmente prejudicial. Aproximadamente, 236 mil aplicações foram apresentadas em 2016. Além disso, a interrupção do programa tende a causar atrasos para milhares de candidatos, principalmente profissionais em universidades e institutos de pesquisa, assim como médicos estrangeiros que recebem o H-1B em troca pelo trabalho em áreas que possuem poucos profissionais atuando, segundo dados do USCIS. A suspensão também custará ao USCIS US$ 100 milhões em tarifas perdidas, reconheceu a porta-voz Carolyn Gwathmey.

Ela alegou que tal perda seria compensada pelo fundo de reserva de US$ 700 milhões criados pelo superávit gerado pelas tarifas cobradas pelo aceleramento do processo e, portanto, “não impactaria a capacidade do órgão de continuar pagando com o processo de digitalização, o qual está US$ 1 bilhão acima do orçamento e 5 anos atrasado. Entretanto a suspensão do programa gerou preocupação com relação as intenções ligadas ao H-1B em geral e o destino do processo de digitalização que o próprio programa H-1B tem patrocinado.

A suspensão do processo acelerado não afetará o número de vistos H-1B emitidos, mesmo para as companhias particulares, mas críticos demonstraram preocupação que a perda da verba gerada pelo programa atrase ainda mais o processo de digitalização e, consequentemente, perpetuando o congestionamento que levou aos atrasos em primeiro lugar. Até o momento, o esforço em modernizar tem sido assolado por falhas e lapsos na segurança . Entre 2014 e 2016, por exemplo, falhas no programa resultaram em que o USCIS enviasse milhares de green cards com informações erradas e falhando em recolhe-los. Alguns especialistas demonstraram pouca esperança na correção de tais falhas, especialmente se a verba do processo acelerado parar de fluir.

“Qualquer CEO que proponha cortar todas as suas fontes de renda; enquanto ao mesmo tempo continua pagando para consertar seu produto, seria demitido”, disse Greg Siskind, advogado de imigração veterano.

 

 

Sobre o autor

O jornalista Leonardo Ferreira é formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA, sediada no Rio de Janeiro - RJ.

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