Veterano deportado é perdoado e torna-se cidadão americano

Foto15 Hector Barajas Veterano deportado é perdoado e torna se cidadão americano
Hector Barajas detalhou que não aplicou para a cidadania enquanto servia nas Forças Armadas porque pensava que o serviço militar garantisse isso (Foto: Army Times)

Hector Barajas foi deportado em 2004, mas recebeu clemência do governador da Califórnia, Jerry Brown

Ele serviu nas Forças Armadas dos EUA por 6 anos, entretanto, a luta mais difícil que Hector Barajas enfrentou durou mais de 10 anos. Ele foi deportado em 2004, mas na sexta-feira (13) ele naturalizou-se cidadão americano numa cerimônia realizada em San Diego (CA), após o governador do estado, Jerry Brown, concedeu-lhe clemência e, assim, Hector retornou ao país.

Ele tornou-se um líder popular de um número cada vez mais crescente de veteranos de guerra deportados, muitos deles fixando residência na cidade fronteiriça de Tijuana, no lado mexicano. O fato de o Governo americano deportar pessoas que serviram o país ainda é um debate central em dois temas principais na política dos EUA: Imigração e Forças Armadas.

Cada caso é diferente, mas geralmente todos têm algo em comum: Os veteranos saem das Forças Armadas com honras, mas são posteriormente condenados por crimes cometidos depois de retornarem à vida civil. Barajas, que nasceu no México, mas foi trazido aos EUA ainda criança, serviu na 82º Divisão Aérea entre 1995 e 2001. Logo depois, ele foi preso por disparar uma arma do interior de seu veículo. Ninguém foi ferido, mas foi acusado de agressão e não contestou a acusação de 2002 de atirar na direção de um veículo ocupado.

As autoridades cancelaram a residência permanente (green card) de Hector e o deportaram depois que ele cumpriu 2 anos de detenção. Desde então, ele morava em Tijuana e tentava retornar aos EUA. Ele não é o único. Barajas fundou um abrigo em Tijuana para outros veteranos deportados. Dezenas deles já passaram pelo “The Bunker”, buscando ajuda e tentando recomeçar a vida. “Eu gostaria de me desculpar mais uma vez por aquilo que causou a minha deportação. Eu não tenho orgulho das circunstâncias que levaram àquilo”, disse Hector na coletiva de imprensa, após a cerimônia de naturalização. “Entretanto, tenho orgulho do meu serviço (nas Forças Armadas) e do trabalho que realizo hoje”.

Trata-se de um caminho longo. Muitos veteranos enfrentam dificuldades em conseguir trabalho num país que eles mal conhecem, acrescentou ele.

Em março, a rede de notícias CNN relatou o caso de outro veterano que estava iniciando a jornada. Miguel Perez Jr., que cumpriu mais de 7 anos de detenção depois de ser condenado por venda de drogas. Ele foi deportado ao México naquele, após uma disputa legal. O veterano disse que a luta para voltar aos EUA ainda não havia terminado. “Eu continuarei a lutar, não somente por mim, mas pelos outros veteranos que também foram separados de suas famílias”, disse Miguel.

Barajas detalhou que não aplicou para a cidadania enquanto servia nas Forças Armadas porque pensava que o serviço militar garantisse isso. Inúmeros outros veteranos deportados, disse ele, pensavam a mesma coisa. Ao longo dos anos, vem sido proposto um projeto de lei que ajude os veteranos deportados a retornarem aos EUA, entretanto, a proposta não recebeu apoio suficiente para ser aprovada.

 

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