Vítima de prostituição acusa motéis de ignorarem sinais de abuso em NYC

Foto1 Econo Lodge Bronx Vítima de prostituição acusa motéis de ignorarem sinais de abuso em NYC
O Econo Lodge no Bronx (detalhe) está envolvido no processo de US$ 10 milhões movido por uma vítima de exploração sexual junto à Corte Federal de New York City

S.J. alega que funcionários do Wyndham Hotels & Resorts e Choice Hotels Corporation optaram por “ignorar a ocorrência óbvia e aberta de tráfico sexual em suas instalações”

Uma menina de 10 anos de idade foi estuprada, torturada e espancada quando era vendida para sexo em New York City enquanto os funcionários de 2 motéis ignoravam o caso evidente de exploração sexual, acusa a ação judicial de US$ 10 milhões apresentada na terça-feira (29). O processo, apresentado na Corte Federal do Brooklyn e o primeiro do tipo em Nova York, alega que a Wyndham Hotels & Resorts e a Choice Hotels Corporation foram cúmplices no abuso da menor ao operarem franquias que optaram por “ignorar a ocorrência óbvia e aberta de tráfico sexual em suas instalações”.

A vítima, uma mulher agora de 20 anos e identificada com as iniciais S.J., alega que foi vendida para sexo entre 15 a 20 vezes por dia  no Howard Johnson em Jamaica, Queens (NY), administrada pela Wyndham, e um Econo Lodge no Bronx (NY), administrado pela
Choice Hotels, entre 2006 e 2009. Os abusos ocorreram quando ela tinha entre 10 e 13 a nos de idade, detalhou o processo.

S.J. conheceu o cafetão dela pouco depois de ter fugido da casa da família adotiva, onde ela sofreu abusos físicos e sexuais, conforme o processo, acrescentando que ela entrou na fila de adoção depois que o pai dela foi flagrado a molestando.

“O traficante de S.J. tirou proveito da vulnerabilidade dela abusando do desejo normal da jovem por atenção e aprovação, conquistando a confiança dela levando-a para comer fora e fazer compras, aconselhando-a e prometendo que ela poderia fazer parte da família dele”, segundo o processo.

A vasta maioria das vítimas de tráfico sexual foi molestada sexualmente na infância, conforme especialistas. Uma vez que o traficante da menina, um homem de 25 anos, conquistou a confiança e tirou a virgindade dela, ele a forçou a servir os clientes dele, dizendo-lhe: “como fazer o paizinho dela feliz era fazê-los (clientes) felizes”, detalhou o processo.

Durante os próximos 3 anos, o cafetão cobria com um saco de papel a cabeça de S.J. e a levava ao Econo Lodge e Howard Johnson, onde ela passava dias seguidos sendo estuprada por clientes sem parar. O cafetão sempre pagava em dinheiro pelos quartos e, quando não tinha dinheiro para os quartos no Econo Lodge, ele permitia que os funcionários do motel fizessem sexo com as vítimas dele em troca do pagamento. Havia até uma tigela repleta de preservativos grátis no balcão da recepção do Econo Lodge que as vítimas poderiam usá-las quando as delas acabavam, conforme o processo.

  1. J. alega que havia movimento “volumoso e constante” de saída e entrada nos quartos e “numerosos preservativos usados” eram deixados “espalhados por várias superfícies” no final de cada estadia no motel, o que deveria ter indicado aos funcionários que uma atividade criminosa óbvia estava ocorrendo. Posteriormente, a ação afirma que os funcionários de ambos os motéis permitiram que os abusos acontecessem ao não contatarem as autoridades e terem ignorado os sinais óbvios demonstrados por S.J. e as outras vítimas do cafetão, assim como sinais claros de abuso físico, pouca higiene corporal, falta de bagagens, submissão e roupas inapropriadas.

O Wyndham e o Choice Hotels assinaram o Código Turístico de Conduta para Proteção da Criança, criado pela ONG “Fim do Tráfico e Prostituição Infantil (ECPAT-USA), conforme o processo e a própria ECPAT”.

“A indústria hospitaleira é parte importante do tráfico sexual. A existência do ‘hotel que não conta’, certamente, não é algo novo”, alega o processo, acrescentando que 45% de toda a exploração sexual em New York City acontece em hotéis.

 

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