Imigrante ilegal terá processo de deportação reavaliado em New Jersey
José Pereira, de 51 anos, foi preso por agentes do ICE em 1 de dezembro em um depósito em Secaucus (NJ), onde trabalhava há apenas 1 mês
O imigrante José Pereira, de 51 anos, residente em Union City (NJ), natural de El Salvador, que reside ilegalmente nos EUA há quase 30 anos, terá o seu caso de deportação reavaliado pelas autoridades, informou a advogada Elise Steglich, do American Friends Service Committee. Ela detalhou que seu cliente não enfrenta mais a possibilidade iminente de deportação, segundo o diário The Jersey Journal.
O American Friends Service Committee, fundado pela denominação evangélica Quaker, com escritório em Newark (NJ), é uma entidade sem fins lucrativos que oferece apoio legal a famílias que enfrentam a possibilidade de deportação. Steglich disse que “agora tenho algumas semanas” para convencer o Departamento de Imigração (ICE) a reabrir o caso de Pereira.
Ele foi preso por agentes do ICE em 1 de dezembro em um depósito em Secaucus (NJ), onde trabalhava há apenas 1 mês. Um porta-voz do departamento informou que um juiz emitiu uma ordem de deportação.
A esposa de Pereira, Carmen, de 41 anos, confirmou que seu marido entrou clandestinamente nos Estados Unidos há quase 30 anos, mas frisou que ela e seus 3 filhos são norte-americanos natos. Ambos estão casados há mais de 20 anos.
Ela disse que os três filhos do casal José Jr., de 20 anos, Christina, de 18 anos, e Nelson Pereira, de 10 anos, estão confusos sem a presença do pai, principalmente o caçula. “Eu não acho que meus filhos terão Natal”, comentou Carmen.
José e Carmen Pereira se conheceram há mais de 20 anos, quando ela ainda residia em Staten Island (NY) e costumava visitar Union City (NJ) com uma amiga. Seu futuro marido deixou El Salvador para ficar próximo ao irmão, disse ela. Eles se casaram após 3 meses de namoro e tiveram somente um problema com a imigração, quando José foi detido pelas autoridades migratórias, depois de retornar de uma viagem ao seu país de origem para visitar a mãe doente.
O diário The Jersey Journal publicou a saga da família na terça-feira (13). Steglich contatou a família depois que um repórter a entrevistou com relação ao caso de José Pereira.
A advogada espera que seu cliente seja liberado “através de uma ordem de supervisão” para que assim possa sustentar sua família e, talvez, tenha que portar um bracelete magnético. Carmen Pereira e seu filho de 10 anos de idade têm problemas de saúde que necessitam de cuidados médicos, disse Steglich.
“A sua liberação seria um alívio ao sofrimento da família”, comentou.
Barbara Hoffmann, amiga da família, considerou José Pereira “um homem muito bom”.
“Fiquei arrasada”, disse ela. “Pegarem um homem que nunca teve problemas com a justiça; eles deveriam perseguir pessoas problemáticas”.
Ano passado, 392.862 imigrantes ilegais foram deportados do país, um número recorde desde que o Presidente Barack Obama tomou posse, segundo dados do ICE. Anastasia Mann, diretora do Eagleton Institute Programo n Immigration and Democracy da Universidade Rutgers, disse que o caso de Pereira focaliza os inúmeros desafios enfrentados por famílias de status migratório misto.
Apesar de José ter entrado ilegalmente nos EUA em 1982, sua esposa nasceu em Staten Island (NY) e todos os seus filhos também são norte-americanos natos, segundo Carmen Pereira.
“As pessoas pensam que eles são uma classe separada, mas eles são nossos colegas de sala e trabalho ou parentes de nossos amigos”, disse Mann. “Eles ocupam uma grande parte na sociedade desse país”.



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