A bela música da encantadora Ceumar

Entre o céu e o mar há Ceumar: bela música, deliciosamente afinada, e, agora, unicamente ela, seu violão e sua voz de afortunada beleza.

Ser céu é o jeitinho só dela de multiplicar cada estrelinha e decifrar suas entrelinhas que só ela a poeta vê, pois apenas a ela a lua empresta sua força prateada. Ser mar é o que ela é a cada acorde, a cada sílaba, saídos do ventre que já pariu Tiê, tornando-os mais brilhantes.

Entre o céu e o mar há Ceumar, a que, quando nasceu, o pai e cantor Clélio logo decifrou: “Ela chora no tom do amor.”

Ser mar é refletir as entranhas do desconhecido, onde a escuridão é mais profunda, onde habitam seres que só os especiais conseguem atinar o jeito de ser. Ser céu é ser mar, que é quando a memória da música guarda tesouros escondidos no fundo e no raso dos horizontes sem-fim.

E Ceumar nasceu em Itanhandu, na Serra da Mantiqueira, sul de Minas Gerais. Respirando música desde criança, estudou piano e aos dezesseis anos pegou o violão. Em 1995 veio para São Paulo e cuidou de assoalhar o caminho que a música lhe reservara.

Agora ela gravou ao vivo, no teatro Fecap-SP, Meu Nome, seu quarto CD. Dentre as 20 músicas selecionadas – diversificadas ritmicamente e com boas melodias e harmonias –, oito são só dela. As outras foram compostas com parceiros: Estrela Ruiz Leminski, Sérgio Pererê, Gero Camilo, Du Moreira, Ricardo Mosca, Kléber Albuquerque, Mathilda Kóvak, Etel Frota, Dante Ozzetti, Tatá Fernandes e Yaniel Matos.

Para ser tão afinada, Ceumar conta com uma respiração muito bem colocada. Seu diafragma responde com segurança a todas as inflexões que ela dá às interpretações. Ouvi-la é como um descanso em paz, como se tudo o mais ficasse sem importância; é deixar-se levar pela emoção cristalina de cada música.

Feito uma Joan Baez brasileira, Ceumar toca violão com a segurança que os faz como corda e caçamba, tamanha é a cumplicidade entre eles. E é justamente por isso que o que mais toca o coração são suas canções mais lentas, feito “Mãe”: “A voz primeira/ A voz mais bela/ A voz de mar/ Da minha mãe, Wilmar…”; ou “Planeta Coração”, homenagem ao filho Tiê: “(…) Tua presença é combustível/ Pro foguete coração/ Que me anima na hora certa/ Pra cantar feito criança esta canção”; ou ainda na bela e confessional “Feliz e Triste” (com Kleber Albuquerque): “Eu acho que estou feliz e triste/ Tudo o que eu tenho cabe/ Na minha mão.”

“Reinvento”, com Estrela Ruiz Leminski, abre o álbum e realça a voz de Ceumar; “Mochilinha de Porquês”, com Gero Camilo, é de uma doçura comovente; “Gira dos Meninos” tem ótimas participações da percussão e da voz do parceiro Sérgio Pererê; outra boa participação é a do pianista cubano Yaniel Matos em três das faixas, principalmente em “Dança” (dele e de Ceumar).

Assim é Meu Nome, reflexo da personalidade da música que se aconchegou entre o céu e o mar para dali emitir sons que a fazem única e sincera em seu ofício de ser Ceumar.

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