Uma baita reverência a um baita artista

Baita Negão (SESC-SP, patrocínio da Petrobras) é o CD com o qual Virginia Rosa homenageia Monsueto.

Partindo da idéia de um produtor musical para cada faixa do álbum, tudo teve início de forma feliz. A concepção de cada um dos escolhidos permitiu que a voz de Virginia fluísse ágil pelo universo fantástico deste que foi um dos maiores artistas brasileiros.

Foram poucas as chances dadas a Monsueto Campos de Menezes para que ele próprio pudesse gravar suas músicas – apenas um LP lançado em 1962 (Mora na Filosofia dos Sambas de Monsueto) e um CD coletânea (Raízes do Samba – Monsueto) lançado em 2000. Pouco demais para tanto talento.

Mas agora vem Virginia Rosa e nos revela o mundo dele com a mais pura beleza cantada com voz afinada e poderosa. Suave, quando a levada do arranjo sugere; moleca, para assim melhor dizer as letras escritas por diversos parceiros que criaram versos plenos de belas imagens.

Baita Negão, de Virginia Rosa, é um CD impecável. Tudo começa com um límpido solo de trompete de Rubinho Antunes; logo vem a voz de Virginia cantando “Sambamba”. A ela se soma a percussão de Douglas Alonso, ele que é o responsável pela produção e pelo arranjo da faixa.

A seguir, com produção de Skowa e Janja Gomes, e arranjo do primeiro, vem “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo” (Monsueto e José Batista). Martinho da Vila dá sua voz para, junto com Virginia, mostrar o jeito malemolente de se cantar Monsueto. Com eles, num arranjo em que se destacam o baixo (Skowa), a percussão (João Parahyba e Janja), a flauta e os saxes alto e tenor de Jean Arnoult, o samba se revela em sua plenitude.

“Me Deixa em Paz” (Monsueto e Ayrton Amorim) chega com piano elétrico (Pedro Cunha), uma leve percussão e respeitosa batida da bateria. E logo o piano e a cuíca (Márcio Forte) criam uma batida de samba que foge do tradicional sem dele escarnecer; tudo isso acrescido do trombone de Edy Trombone.

Com produção e arranjo de Jair Oliveira, Virginia canta o clássico “A Fonte Secou” (Monsueto, Marcleo e Raul Moreno) como se fosse a sua chance derradeira de provar o talento que tem de sobra. E assim é também em “Mora na Filosofia” (Monsueto, Marcelo e Raul Moreno). Com produção e arranjo de Celso Fonseca (violão e guitarra), este sucesso é cantado e tocado delicadamente, como se todos ali se preocupassem apenas em preservar o talento de Monsueto.

“Lamento da Lavadeira” (Monsueto, João Vieira Filho e Nilo Chagas) tem produção musical e arranjo de Swami Jr. O baixo fretless conduz a melodia sob harmonia diferenciada e realça os versos de genial simplicidade.

Voz, piano, violoncelo, surdo, cuíca e emoção… Ainda tão comovente, “Faz Escuro Mas Eu Canto” (Monsueto e Thiago de Mello). Meu Deus!

Impressiona o conjunto do trabalho criado por Virginia Rosa, no qual sua voz e os arranjos se comprazem em dar às canções novas leituras, permitindo ver que a obra de Monsueto se presta à perfeição a quem apetece revisitá-la.

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