A importância histórica do saxofone por Nailor Proveta

Seu nome é Nailor Azevedo, mas pode chamá-lo de Proveta. Instrumentista virtuoso, ele toca clarinete e, principalmente, saxofone. Seu sopro é nítido e pleno de uma brasilidade que lhe dá personalidade ímpar.

E foi em busca de reverenciar o sax que ele se lançou no projeto de gravar o arrebatador Brasileiro Saxofone (Acari Records).

Desde sempre, Anacleto de Medeiros, Pixinguinha, Luís Americano e Ratinho, e, depois, K-Ximbinho, Abel Ferreira, Vitor Assis Brasil, Paulo Moura, Moacir Santos e Zé Bodega, dentre outros, são responsáveis pela popularização do saxofone.

Certo da riqueza e da importância do instrumento, Proveta convidou dois músicos para rever o seu percurso através dos tempos – os violonistas Mauricio Carrilho e Paulo Aragão –, e com eles dividiu a seleção do repertório e os arranjos das músicas do álbum. Virtuosos em seus instrumentos, aos três deve ser creditado o mais importante passo deste sólido trabalho.

Os instrumentistas convocados a tocar são grandes craques também. E improvisos se sucedem em escala admirável, enquanto timbres se multiplicam nas sequências harmônicas.

“Quem É Você” (Pixinguinha) começa com o piano de Cristovão Bastos. Proveta entra com o sax alto. Juntos com cavaquinho (Luciana Rabello), flauta (Naomi Kumamoto), clarinete (Rui Alvim), baixo (Pedro Aune), pandeiro (Marcus Thadeu) e o violão de sete cordas (Mauricio Carrilho), fraseiam com profunda riqueza melódica.

Momento sublime é o choro “Ternura” (K-Ximbinho), que vem com o bandolim de Pedro Amorim. O sax tenor de Proveta sola. Os violões de Paulo Aragão e de Carrilho flutuam na onda. A flauta baixo de Andrea Ernest Dias se junta ao bombardino (Everson Moraes), à tuba (Eliezer Rodrigues), ao trompete (Aquiles Moraes), ao sax alto (Rui Alvim), ao flautim de Naomi Kumamoto… O som é de uma boniteza sem fim.

A valsa “Caminho da Saudade” (Radamés Gnattali) é um encontro mágico entre os violões do ótimo Quarteto Maogani (Marcos Alves, Paulo Aragão, Maurício Marques e Carlos Chaves) com o sax tenor de Nailor Proveta.

Em “Implorando” (Anacleto de Medeiros), a violinha de Pedro Aragão se destaca. O sax alto de Proveta sola, enquanto a flauta e o clarinete se dedicam a embalar para presente o que os violões têm a dizer.

“Choro de Uma Valsa” (Nailor Proveta) é uma homenagem a Luciana Rabello, ela que brilha ao solar com seu cavaquinho de cinco cordas. O quarteto de Cordas Ensemble SP (Betina Stegmann, Nelson Rios, Marcelo Jaffé e Robert Suetholz) e um naipe de sopros se unem ao sax soprano e ao clarinete de Proveta. O que resulta é algo que, quem sabe, Villa-Lobos também adoraria ouvir.

“Saxofone, Por Que Choras?” (Ratinho) é a essência do choro. Choro que é divertimento, é o som da surpresa, é a síntese do que o saxofone, tão bem tocado por Nailor Proveta, significa para a música brasileira.

Brasileiro Saxofone é um disco que todos os que amam música deveriam ter em casa.

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