Células

KLEDIR CélulasExiste um paradoxo que fala de um carro velho que, aos poucos, vai sendo consertado com peças novas. Depois de um tempo, alguém recolhe as peças velhas que sobraram e constrói um outro carro com elas. A questão que se coloca é: qual o carro original? O novo feito de peças velhas ou o velho feito de peças novas?

O corpo humano produz em média 300 milhões de células por minuto, o que significa 432 trilhões por dia. Isso acontece porque as células vão envelhecendo e morrendo, e precisam ser substituídas por outras novas. São como as peças de reposição do carro que vai pro conserto.

O paradoxo do carro original me levou a refletir sobre essa loucura em que estamos metidos: a existência humana. A princípio, o que dá pra concluir é que não sou mais o mesmo que era um tempo atrás.

Há uma crença popular que diz que a cada 7 anos o corpo humano renova todas as suas células e, portanto, de tempos em tempos somos uma outra pessoa. Não é bem assim. A maioria das células é substituída o tempo todo, mas algumas não, como é o caso dos neurônios que nos acompanham até o último suspiro. O ciclo de vida de cada célula varia. As da pele se renovam a cada 2 ou 3 semanas. As do estômago e intestinos duram apenas 5 dias. As do fígado obedecem um período que varia de 150 a 500 dias. Nosso esqueleto leva cerca de 10 anos para concluir um ciclo completo de renovação, enquanto que as hemácias vivem aproximadamente 120 dias.

Cada célula nova que chega é exatamente igual à anterior. Talvez isso explique o fato de que não consigo mudar essa cara feia que Deus me deu e, por mais que eu me esforce, nunca amanheço com a cara do Rodrigo Hilbert. Pelo menos por enquanto. Com o avanço da engenharia genética, quem sabe?

Outra curiosidade é que cheguei à conclusão que a mulher que vive ao meu lado já não é a mesma. A pele de seda que gosto de acariciar é outra a cada duas semanas. Espero que ela não fique com ciúmes.

O mais interessante disso tudo é que, mesmo cheio de peças novas, meu corpo velho vai cansando e se deteriorando. Por quê? Sei lá.

O fato de eu não conseguir controlar com a mente a renovação da minha estrutura física deixa uma dúvida no ar: então quem é que manda? Quem está por trás disso tudo? Em geral, a resposta fica naquela zona nebulosa do sobrenatural, povoada de incertezas e fantasmas. Como esse é um terreno que não dá pra apalpar, minha escolha tem sido o caminho da Yoga, que me ensinou a refletir sobre o que é certo ou errado e colocar em prática. Estou vivendo a experiência, tentando fazer consciência.

E que Deus me ajude.

 

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